O antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano, defendeu o reforço da educação, da formação, da mobilidade e da partilha de experiências entre os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), considerando estas áreas fundamentais para consolidar a cooperação e responder aos desafios que se colocam à organização.
A posição foi expressa durante uma visita à sede da CPLP, no Palácio Conde de Penafiel, em Lisboa, realizada a 14 de Outubro de 2026, no quadro das comemorações dos 30 anos da organização.
À chegada, Joaquim Chissano foi recebido pela secretária executiva da CPLP, embaixadora Maria de Fátima Jardim, com quem manteve um encontro reservado. Seguiu-se uma sessão solene que reuniu o antigo Chefe de Estado moçambicano, a secretária executiva e os representantes permanentes dos Estados-membros junto da Comunidade.
Durante a intervenção, Chissano destacou os resultados alcançados pela CPLP ao longo das últimas três décadas, salientando a diversificação das áreas de cooperação e a crescente atenção internacional dedicada à organização, reflectida, entre outros aspectos, no número de Observadores Associados.
O antigo estadista realçou igualmente a importância da língua portuguesa enquanto instrumento de promoção de causas comuns, nomeadamente a paz, a solidariedade, os direitos humanos, a protecção da biodiversidade e o desenvolvimento económico.
Para Joaquim Chissano, o aprofundamento da cooperação entre os países lusófonos exige maior investimento no conhecimento e na formação, bem como o reforço da mobilidade e da circulação de experiências entre os povos e as instituições dos Estados-membros.
Guiné-Bissau e construção de consensos
Ao abordar a situação na Guiné-Bissau, o antigo Presidente moçambicano defendeu a construção de consensos e manifestou o desejo de que o país regresse à participação activa no seio da Comunidade, sublinhando a importância do diálogo para a superação de desafios políticos e institucionais.
Na ocasião, a secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, enalteceu o percurso de Joaquim Chissano e o seu contributo enquanto um dos membros fundadores da organização. A diplomata felicitou igualmente o antigo Chefe de Estado pela atribuição, por aclamação, do Prémio José Aparecido de Oliveira, em reconhecimento da sua dedicação à CPLP e à aproximação dos povos de língua portuguesa.

A responsável destacou ainda o papel de Moçambique na promoção da paz, da democracia, da cooperação e da estabilidade, bem como o contributo do país para o desenvolvimento da Comunidade em sectores como a educação, a ciência, a tecnologia, a economia e a defesa.
CPLP prepara agenda estratégica para 2027-2033
No contexto das celebrações dos 30 anos da CPLP, Maria de Fátima Jardim reafirmou a importância da união, da concertação política e da partilha de valores comuns entre os Estados-membros, considerando estes factores essenciais para enfrentar os desafios globais e preparar a futura Agenda Estratégica 2027-2033.
A secretária executiva defendeu o reforço do papel geopolítico da organização e a continuidade do compromisso com o crescimento, a sustentabilidade, o progresso e o bem-estar dos povos que integram a Comunidade.
Segundo a diplomata, a diversidade dos países e das suas populações, aliada à cooperação e à troca permanente de experiências, tem contribuído para consolidar uma identidade partilhada, fortalecer a coesão interna e promover causas comuns perante os novos desafios e oportunidades internacionais.
Por sua vez, a representante permanente de Timor-Leste junto da CPLP, embaixadora Natália Carrascalão, na qualidade de presidência em exercício da organização e coordenadora do Comité de Concertação Permanente, destacou o contributo de Joaquim Chissano para a criação e consolidação da Comunidade.
A diplomata enalteceu o percurso do antigo Presidente moçambicano na promoção da paz, do diálogo, da solidariedade, da cooperação e da amizade entre os povos, salientando a relevância da diplomacia, da reconciliação e da construção de consensos como valores fundamentais partilhados pelos Estados-membros.
Natália Carrascalão considerou que a visita representou também um momento de reconhecimento da memória e do legado das personalidades que contribuíram para a fundação da CPLP, reafirmando o compromisso com a valorização da língua portuguesa e com a construção de uma Comunidade mais coesa, solidária e preparada para responder aos desafios contemporâneos.
A visita terminou com a assinatura do Livro de Honra da CPLP por Joaquim Chissano, num gesto simbólico que assinala a sua ligação histórica à organização e ao projecto de aproximação dos países e povos de língua portuguesa.





