Jornalista angolano garante que vai apresentar participação ao Departamento Nacional de Investigação e Acção Penal

O jornalista angolano Teixeira Cândido, alvo de vigilância com o ‘spyware’ Predator, garante que vai apresentar uma participação junto do Departamento Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP). O ex-secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) disse que pretende procurar aconselhamento jurídico e formalizar uma participação junto do Ministério Público, admitindo que a infeção no telemóvel…
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O jornalista Teixeira Cândido foi alvo de espionagem digital após o seu telemóvel ter sido infectado com o spyware Predator, um dos programas de vigilância mais intrusivos da actualidade.
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O jornalista angolano Teixeira Cândido, alvo de vigilância com o ‘spyware’ Predator, garante que vai apresentar uma participação junto do Departamento Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP).

O ex-secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) disse que pretende procurar aconselhamento jurídico e formalizar uma participação junto do Ministério Público, admitindo que a infeção no telemóvel tenha origem numa entidade pública e que, caso se confirme, configura um “abuso de poder”.

Teixeira Cândido recordou que a Amnistia Internacional denunciou, em 2023, que o Governo angolano teria adquirido este tipo de ‘spyware’, sem que tenha havido reação oficial, sublinhando que a empresa que o desenvolve não vende a privados.

“Como a tal empresa, a Intellexa, não tem vendido estes produtos para privados, obviamente que aqui a suspeita maior é para o Governo (…) e, se se confirmar que foi o Governo, é aqui um abuso de poder e obviamente uma invasão à intimidade, à vida privada, à privacidade”, afirmou.

A Amnistia Internacional revelou que Teixeira Cândido foi alvo do ‘spyware’ Predator, um programa de espionagem altamente intrusivo que permite acesso total aos dados do telemóvel infetado, incluindo mensagens, ficheiros, microfone e câmara.

Segundo a organização, o ataque ocorreu em 2024, após o jornalista aceder a um ‘link’ malicioso, tendo sido identificado no âmbito de uma investigação conduzida em colaboração com as organizações Friends of Angola e Front Line Defenders.

O jornalista lembrou que já tinha sido alvo de intimidação, incluindo assaltos à sede do sindicato e mensagens anónimas que aumentaram as suas suspeitas. “Lembro-me que, na altura em que assaltaram sucessivas vezes a direção do sindicato, mandaram uma mensagem em que me perguntavam se eu tinha visto o que eles tinham acabado de fazer”, contou.

Esses episódios levaram-no a recear que estivesse sob vigilância. “Fiquei mesmo preocupado com o que eu fazia, os meus ‘e-mails’ e outros, os meus telemóveis e computadores e tudo o resto”, afirmou.

Teixeira Cândido, citado pela Lusa, explicou que foi posteriormente contactado pela organização Friends of Angola, que trabalhava com a Amnistia Internacional e a Front Line Defenders, que lhe prestaram assistência para verificar o telemóvel.

De acordo com o jornalista, recebeu mensagens através do WhatsApp de um número da operadora angolana Unitel, que se apresentava como pertencente a um grupo de estudantes, contendo vários ficheiros e um ‘link’ com alegada informação relacionada com jornalistas.

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