A Justiça espanhola convocou três dirigentes da Guiné Equatorial, incluindo Carmelo Ovono Obriang, filho do Presidente do país africano, para prestarem declarações num processo em que são suspeitos de sequestro e torturas de membros da oposição ao regime.
Segundo documentos citados pela agência de notícias EFE, a Audiência Nacional de Espanha, com sede em Madrid, convocou Carmelo Ovono Obiang, secretário de Estado da Presidência da Guiné Equatorial e filho de Teodoro Obiang Nguema, assim como Isaac Nguema, director da Segurança Presidencial, e Nicolás Obama, ministro de Estado, para prestarem declarações, por videoconferência, em 05 de Fevereiro.
As audições ocorrem a pedido dos três, segundo os mesmos documentos citados pela EFE. Os alegados crimes ocorreram em 2019 e a Audiência Nacional de Espanha chegou a decidir, em 2024, a transferência das competências da investigação para as autoridades da Guiné Equatorial, o que foi, porém, objecto de recurso por parte de familiares de opositores ao regime de Teodoro Obiang e do Movimento para a Libertação da Guiné Equatorial – Terceira República (MLGE3R).
Numa deliberação de setembro de 2025 do Tribunal Supremo, citada agora pela EFE, esta instância instou a Audiência Nacional a continuar a investigar o caso, rejeitando os argumentos para o processo ser transferido para a Guiné Equatorial.
O Tribunal Supremo sublinhou que “não existiu cooperação” por parte da Guiné Equatorial, pelo contrário, “as suas autoridades tentaram boicotar as acusações”.
Depois deste despacho do Supremo, e sempre segundo os documentos a que a agência EFE teve acesso, em Novembro, os advogados dos três suspeitos pediram à Audiência Nacional de Espanha para os clientes serem ouvidos, por videoconferência, a partir da embaixada ou do consulado de Espanha em Malabo.
Os três chegaram a ser alvos, diz a Lusa, também de mandados detenção internacionais em 2024. O caso aberto na Audiência Nacional de Espanha, uma instância que investiga e julga a criminalidade mais grave, teve como origem uma queixa apresentada pelo MLGE3R por alegado sequestro e tortura de quatro opositores ao regime da Guiné Equatorial.





