A produção da mina de titânio de Moma, na província de Nampula, recuou 10% em 2025, fixando-se em pouco mais de um milhão de toneladas, num ano marcado por menor volume exportado e uma quebra significativa nas receitas da mineradora irlandesa Kenmare Resources.
De acordo com o relatório anual enviado aos investidores, a operação atingiu uma produção total de 1.004.000 toneladas, com destaque para 842.300 toneladas de ilmenite – o principal minério de titânio –, além de 50.000 toneladas de zircão e 8.600 toneladas de rutilo.
O desempenho operacional reflectiu-se directamente nas exportações, que caíram 13% face a 2024, totalizando 947.900 toneladas. Apesar de a logística ter sido assegurada por 38 navios através do porto dedicado da mina, a receita global desceu 21%, para 280 milhões de euros, evidenciando a pressão sobre os preços e a procura internacional destes minerais.
Num contexto de contracção de receitas, o investimento manteve-se elevado, atingindo 183 milhões de euros, com a empresa a apostar na expansão da capacidade produtiva. A Kenmare destaca o desenvolvimento da nova unidade industrial em Nataka, um projecto estratégico destinado a prolongar a vida útil da operação por várias décadas.
Para 2026, a empresa antecipa uma recuperação, prevendo exportar cerca de 1,1 milhões de toneladas, um aumento de 15% face a 2025, sustentado pelo reforço da capacidade instalada e por uma eventual melhoria das condições de mercado.
Em paralelo, persistem incertezas ao nível regulatório. O Governo moçambicano rejeitou a existência de um diferendo em torno da concessão da mina de Moma, sublinhando que decorre apenas um processo de renegociação contratual. Segundo a Lusa, o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, afirmou que ambas as partes procuram alinhar posições para garantir benefícios mútuos na exploração dos recursos naturais.
Ainda assim, a Kenmare alertou, no início de Março, para a imposição de novas condições por parte da Autoridade Tributária moçambicana, admitindo a possibilidade de recorrer à arbitragem internacional, um sinal de tensão que poderá influenciar o ambiente de investimento no sector extractivo do país.





