A valorização do legado dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria deve assumir-se como um instrumento estratégico para a capacitação e mobilização da juventude angolana, defendeu o empresário Pinto Matamba, esta Segunda-feira, 23 de Março, em Luanda.
A posição surgiu num momento simbólico – as celebrações do 23 de Março, data que assinala a Libertação dos Povos da África Austral e a vitória da Batalha de Cuito Cuanavale –, que, segundo o também presidente da Associação Mais Em Comum, deve ser reinterpretado não apenas como memória histórica, mas como um activo mobilizador de desenvolvimento económico e social.
Para Matamba, o principal desafio reside na capacidade de converter o capital histórico da independência em vantagens competitivas contemporâneas, sobretudo num contexto em que Angola enfrenta a necessidade de diversificação económica e inclusão produtiva da juventude.
“Os Antigos Combatentes provaram que a determinação pode vencer qualquer bloqueio ao progresso e qualquer desafio económico e social. Cabe agora à juventude transformar esse legado em acção concreta, orientada para a construção de um país moderno e sustentável”, afirmou.
O empresário sublinhou que a efeméride deve deixar de ser encarada como um simples feriado, passando a representar um apelo à responsabilidade geracional. Nesse sentido, defende uma aposta estruturada em sectores com elevado potencial de impacto, como o agronegócio, a formação técnico-profissional, as ciências e engenharias, as tecnologias digitais e o empreendedorismo criativo.
“O 23 de Março é mais do que um feriado. É uma fonte de inspiração para que a juventude africana construa uma África disciplinada, organizada, justa, livre e rica. Somos herdeiros da liberdade e construtores do futuro”
Na sua leitura, iniciativas como hortas comunitárias e programas de capacitação técnica podem desempenhar um papel determinante na promoção da autonomia socioeconómica, sobretudo em zonas urbanas periféricas e comunidades com acesso limitado ao emprego formal.
Matamba alertou ainda para a importância da inserção de Angola nos circuitos globais, destacando o domínio de línguas como inglês e francês como factor crítico de competitividade, numa economia cada vez mais interligada.
Inspirando-se em referências históricas, evocou o pensamento de Agostinho Neto – “Eu já não espero, sou aquele por quem se espera” – como um imperativo de acção imediata, complementando com a visão de Nelson Mandela sobre a educação como motor de transformação estrutural.
Sob o ponto de vista histórico, o empresário recordou que a vitória de Cuito Cuanavale (1987–1988) foi determinante para a independência da Namíbia, contribuiu para a libertação de Nelson Mandela e o fim do regime do Apartheid na África do Sul, sublinhando o peso geopolítico do acontecimento no redesenho da África Austral.
Neste enquadramento, defende que a formação deve ser encarada como uma ferramenta de libertação contemporânea, capaz de reduzir a dependência tecnológica e impulsionar a inovação local.
“O 23 de Março é mais do que um feriado. É uma fonte de inspiração para que a juventude africana construa uma África disciplinada, organizada, justa, livre e rica. Somos herdeiros da liberdade e construtores do futuro”, concluiu.
Pinto Matamba, empresário angolano com actuação nos sectores da construção civil e agronegócio, tem desenvolvido iniciativas focadas na promoção do empreendedorismo, formação de jovens, acções filantrópicas e valorização de investimentos “Feitos em Angola”, com particular incidência na construção e agro-indústria.



