A presidente da Cimeira Lusófona de Liderança, Anabela Chastre, defendeu, esta Quinta-feira, em Luanda, uma maior inclusão de mulheres em cargos de liderança nas organizações empresariais, realçando tal “não é uma questão de género, mas sim de mérito”.
Em entrevista à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, Anabela Chastre considerou que a nível dos países da lusofonia a liderança feminina ainda é encarada como um paradigma, em que as mulheres não têm as mesmas oportunidades e preparação para desempenharem funções de liderança. “Há mulheres e homens com muito mérito, o que permite valorizar o mérito”, acrescentou.
A Cimeira Lusófona de Liderança, como lembrou, é baseada em três pilares, nomeadamente a partilha de boas práticas dentro das organizações, liderança feminina e a aposta nos novos líderes do futuro.
“Os jovens têm muita capacidade, mas não podem fazê-lo sozinho, têm que ter também o apoio daqueles que são os actuais líderes para os ensinar. Tal como um filho precisa dos ensinamentos de um pai e de uma mãe, nas empresas é a mesma coisa. Se queremos mudança e progresso, temos que fazer parte dela”, apelou a responsável, durante a 4ª edição da Cimeira Lusófona de Liderança, realizado na Academia BAI, em Luanda.
A também CEO da Chastre Consulting – Formação e Coaching para Empresas – entende que é preciso criar a sustentabilidade na liderança, capacitando os líderes que já pertencem a uma determinada organização, assim como aqueles que vão iniciar.
“Quando estamos a fazer agora o presente, nós já temos que estar a visualizar o futuro”, apontou.
Em declarações à FORBES, à margem do evento, Yonne de Castro, administradora-executiva do Standard Bank Angola, afirmou existir ainda uma cultura de fraca aceitação de jovens líderes. “É importante continuarmos a promover debates à volta da liderança feminina. Nós sabemos que no nosso país os números ainda não estão perto do desejável. Nota-se que há poucas mulheres em cargos de gestão”, apontou.
A administradora executiva do Standard Bank advoga ser justo nomear mais mulheres, de modo que elas tenham a oportunidade de mostrar as suas competências e valores.
Alinhando no mesmo diapasão, a fundadora e CEO da Liderança Feminina em Angola, Eva Santos, considera que ainda falta muito trabalho a fazer: “falta muitas mulheres em funções de liderança que façam diferença, que tragam realmente princípios e mais representatividade, numa perspectiva de que a liderança deve ser feita de forma conjunta e equitativa”.
João André, administrador-executivo da Etu Energias e que foi orador num dos painéis da 4ª edição da cimeira, classifica lideranças como “situacionais”, enfatizando que exigem que o líder tenha determinado comportamento para garantir o cumprimento dos seus objectivos.
“Precisamos trabalhar a forma como comunicamos os objectivos da organização aos colaboradores e como tratamos as pessoas. Cada um, aonde estiver, deve saber o seu papel na organização”, apelou.





