Luanda reforça hegemonia económica e concentra 31% do PIB de Angola

A província de Luanda voltou a consolidar a sua posição como principal motor económico de Angola, concentrando 31,04% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2024, com uma produção avaliada em 30,4 mil milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O relatório, consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, mostra que Luanda,…
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A capital angolana voltou a afirmar-se como o principal motor económico do país, concentrando quase um terço da produção nacional em 2024. Novos dados do INE mostram uma economia fortemente concentrada em poucas províncias, em que se destacam também Zaire e Benguela.
Economia

A província de Luanda voltou a consolidar a sua posição como principal motor económico de Angola, concentrando 31,04% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2024, com uma produção avaliada em 30,4 mil milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O relatório, consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, mostra que Luanda, Zaire e Benguela lideram o ranking das províncias com maior nível de produção económica no país. O Zaire surge na segunda posição, com um PIB estimado em 17 mil milhões de euros, representando 17,7% da economia nacional, enquanto Benguela ocupa o terceiro lugar com 7,2 mil milhões de euros, equivalentes a 7,53% do PIB.

O peso de Luanda reflecte a concentração de actividades financeiras, empresariais, logísticas e administrativas, além de uma elevada densidade populacional e empresarial. Para analistas, este padrão continua a revelar uma economia altamente centralizada, onde a capital funciona como o principal pólo de geração de riqueza e de captação de investimento.

De acordo com o INE, o crescimento real do PIB angolano foi de 4,95% em 2024, um desempenho que sinaliza uma trajectória de recuperação económica, ainda que marcada por diferenças significativas entre províncias.

As economias provinciais com maior dinamismo foram Benguela (33,14%), Namibe (18,27%) e Bié (8,73%), evidenciando uma aceleração da actividade económica fora do eixo tradicional da capital.

Para investidores, estes números podem indicar novos pólos emergentes de crescimento, sobretudo em regiões com forte potencial logístico, agrícola ou industrial, onde projectos de infra-estruturas e cadeias de valor regionais começam a ganhar maior relevância.

Em contrapartida, algumas províncias registaram contracção económica, como Cunene (-5,09%), Lunda Sul (-6,20%) e Cuando Cubango (-12,82%), reflectindo limitações estruturais, menor diversificação produtiva e dependência de sectores específicos.

Interior do país mantém baixo peso económico

Apesar do crescimento registado em algumas regiões, o retrato do PIB provincial continua a revelar assimetrias profundas na distribuição da riqueza em Angola.

Segundo o INE, as províncias com menor nível de produção económica são Cuando Cubango, com 58,7 milhões de euros, Cunene, com 77 milhões de euros, e Namibe, com cerca de 1,1 mil milhões de euros, representando apenas 0,61%, 0,80% e 1,21% do PIB nacional, respectivamente.

Este desequilíbrio regional continua a ser apontado por economistas como um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável do país, sobretudo no que diz respeito à diversificação económica e à descentralização da actividade produtiva.

Os dados do INE mostram ainda que as províncias apresentam estruturas económicas diferenciadas, determinadas pelos seus recursos naturais e pela especialização sectorial.

Expansão significativa do PIB na última década

O relatório evidencia também a evolução do PIB angolano ao longo dos últimos anos. A preços correntes, a economia nacional cresceu de 13,8 mil milhões de euros em 2015 para 96,1 mil milhões de euros em 2024, reflectindo o impacto combinado da recuperação económica, da actividade petrolífera e da expansão de alguns sectores não-petrolíferos.

No mesmo período, Luanda aumentou significativamente o seu contributo para a economia nacional, passando de 5,2 mil milhões de euros em 2015 para 30,4 mil milhões de euros em 2024.

Este crescimento reforça o papel da capital como centro financeiro, administrativo e empresarial do país, mas também levanta questões sobre a necessidade de políticas públicas capazes de estimular maior equilíbrio regional.

Os dados do INE mostram ainda que as províncias apresentam estruturas económicas diferenciadas, determinadas pelos seus recursos naturais e pela especialização sectorial.

A actividade agropecuária e das pescas tem maior expressão nas províncias do Uíge, Cuanza Sul e Malanje, que representam 15,96%, 11,48% e 11,10%, respectivamente, do Valor Acrescentado Bruto (VAB) deste sector.

Já no sector industrial, que inclui as indústrias transformadora e extractiva, o destaque vai para o Zaire, responsável por 49,91% do VAB da actividade, seguido por Luanda (20,28%) e Cabinda (9,57%), províncias fortemente ligadas à exploração de recursos naturais e à actividade petrolífera.

No sector dos serviços, a predominância de Luanda é ainda mais evidente. A capital concentra 51,82% do VAB desta actividade, muito acima das restantes províncias, com Benguela (10,67%) e Uíge (4,62%) nas posições seguintes.

Oportunidades e desafios para o investimento

Para analistas económicos, os dados reforçam dois elementos centrais do actual modelo económico angolano: a forte concentração da actividade económica em Luanda e a emergência gradual de novos pólos regionais de crescimento.

Do ponto de vista do investimento, sectores como agricultura, logística, indústria transformadora e infra-estruturas em províncias fora da capital podem representar oportunidades relevantes para investidores que procuram posicionar-se em mercados ainda pouco explorados.

Ao mesmo tempo, o retrato provincial do PIB sugere que a diversificação económica e o desenvolvimento regional continuarão a ser factores determinantes para a sustentabilidade do crescimento angolano nos próximos anos, sobretudo num contexto em que o país procura reduzir a dependência do petróleo e expandir a sua base produtiva.

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