A Moave, principal empresa cabo-verdiana importadora de cereais, está a antecipar compras no mercado internacional para garantir reservas de abastecimento até ao final do ano, numa estratégia preventiva face às tensões militares no Médio Oriente, revelou a directora-geral Vera da Luz.
Segundo a responsável, a empresa decidiu agir rapidamente para proteger o mercado interno de eventuais choques nos preços. “Antecipar importações, sim, para garantir alguma estabilidade de preços: tínhamos de tomar posições de imediato”, afirmou, citada pela Lusa.
A estratégia visa minimizar impactos sobretudo no custo do transporte marítimo, que já começa a registar aumentos, particularmente no caso do trigo. Cabo Verde depende fortemente da importação de cereais para garantir o abastecimento alimentar, o que torna o país sensível a oscilações nos mercados internacionais.
De acordo com Vera da Luz, a empresa pretende assegurar reservas suficientes de produtos essenciais como trigo, milho e arroz, beneficiando também de carregamentos que já estavam em trânsito e que foram contratados com preços anteriores às actuais tensões geopolíticas.
Apesar da instabilidade internacional, a responsável sublinhou que a actual produção mundial de cereais apresenta bons níveis, afastando riscos imediatos de escassez. O principal factor de incerteza, explicou, está relacionado com os custos logísticos e de transporte, que podem pressionar o preço final das importações.
O contexto geopolítico agravou-se após um ataque militar lançado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão a 28 de Fevereiro, episódio que intensificou a tensão na região e aumentou a volatilidade nos mercados globais.
Para economias insulares e altamente dependentes de importações alimentares, como Cabo Verde, crises geopolíticas podem traduzir-se rapidamente em pressões inflacionistas, sobretudo através do aumento dos custos de transporte marítimo e seguros logísticos.
A antecipação de compras por parte da Moave reflecte uma estratégia de gestão de risco frequentemente adoptada por operadores em mercados pequenos e vulneráveis, procurando proteger a estabilidade de preços internos e garantir a segurança alimentar num cenário internacional marcado por volatilidade crescente.




