Mariza e Yola Semedo protagonizaram a 9.ª edição do Caixa Fado, em Luanda, num espectáculo que reuniu duas referências da música portuguesa e angolana em torno do intercâmbio cultural entre os dois países.
O evento promovido pelo Banco Caixa Geral Angola (BCGA) reuniu cerca de 1.200 convidados, num formato reservado, exclusivamente por convite, segundo indica uma nota enviada à FORBES ÁFRICA LUSÓFONA.
Sob o mote “Vozes que partilham uma história e celebram um futuro”, o espectáculo cruzou o fado português com as sonoridades da música angolana, num encontro que valorizou a língua portuguesa e os laços culturais entre Angola e Portugal.
A iniciativa integra o “Caixa Artes”, programa através do qual o BCGA apoia a cultura e promove o contacto entre artistas, clientes, parceiros e outras entidades. A realização de mais uma edição do Caixa Fado insere-se nesta estratégia de aproximação à sociedade através da música, associando a valorização cultural ao relacionamento institucional.
Com uma carreira internacional iniciada em 2001, com o álbum “Fado em Mim”, Mariza tornou-se uma das principais embaixadoras contemporâneas do fado. O disco, que popularizou temas como “Ó Gente da Minha Terra”, abriu caminho à projecção internacional da cantora, distinguida pela BBC Radio 3 como melhor artista europeia de world music. Desde então, actuou em palcos de referência, como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, e a Ópera de Sydney.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, a artista nascida em Moçambique e criada na Mouraria, em Lisboa, manteve o fado como matriz da sua identidade musical, explorando outras sonoridades e colaborando com artistas como Cesária Évora, Tito Paris e Gilberto Gil.
A sua discografia inclui trabalhos como “Transparente”, “Terra” e “Mundo”. Em 2026, apresenta um novo trabalho discográfico, que assinala o percurso construído ao longo de mais de duas décadas e aponta para novas etapas da sua carreira.

Yola Semedo, por sua vez, representa uma das vozes de referência da música angolana, com um percurso que atravessa o semba, a kizomba e a balada. Nascida no Lobito, em 1978, iniciou a carreira em 1985, aos seis anos, no grupo familiar Impactos 4, com o qual actuou em vários países, contribuindo para a divulgação da música angolana além-fronteiras.
A carreira a solo consolidou a sua identidade como cantora, compositora, instrumentista e produtora musical, com álbuns como “Minha Alma”, “Diários de Memórias”, “Filho Meu” e “Sem Medo”.
Em 2015, recebeu quatro distinções nos Angola Music Awards, incluindo as categorias de Disco do Ano, por “Filho Meu”, e Voz Feminina do Ano. No ano seguinte, venceu como mentora do concurso televisivo The Voice Angola.
Para além da música, Yola Semedo tem desenvolvido actividades ligadas a causas sociais, tendo sido embaixadora de boa vontade da ONUSIDA em Angola, entre 2015 e 2018, e participado na campanha “Nascer Livre para Brilhar”, entre 2019 e 2021. O seu percurso inclui igualmente o apoio a iniciativas de prevenção de doenças, combate à violência doméstica e protecção de crianças desfavorecidas.
Ao reunir as duas artistas, o Caixa Fado reforça a dimensão cultural de uma iniciativa que procura aproximar Angola e Portugal através da música. Num espaço comum de língua e de referências históricas, o encontro entre o fado e os géneros musicais angolanos mostram o potencial da cultura como instrumento de diálogo, valorização artística e ligação entre os dois mercados.





