Dados apurados pela FORBES, junto de produtores, indicam que o mercado nacional de gin produz cerca de um milhão de litros da bebida por ano. Entretanto, o fecho dos locais de consumo, provocado pela crise pandémica, agravou a situação de bebidas como Vodka, Gin, whisky, rum e cerveja, num mercado que já estava em contração.
Ainda assim, alguns players do sector continuam a acreditar e a investir no mercado nacional, como é o caso da DIREF – Empresa de direito angolano, que resulta da Joint-Venture entre a Diageo – líder mundial na produção de destilados, e a Refriango – líder angolana na produção de bebidas. A Refriango tem uma fábrica instalada no complexo industrial do Kikuxi, em Luanda, que foi dinamizada pelo sucesso dos produtos que lançou no último ano, nomeadamente o Gins Gordon’s PINK e Gordon’s welwitschia.
Para Rui Garcia, country manager da Diageo Angola, à medida que a economia iniciar a retoma e começar a estabilizar, as categorias de produtos produzidos localmente, como o caso do gin, serão as primeiras a crescer.
Entretanto, o gestor revela à FORBES que está em curso um investimento adicional de meio milhão de dólares, que vai alavancar a produção de novos SKU’s, para outros segmentos de mercado. “Fomos pioneiros. O lançamento de Gordon’s PINK constituiu não só um estrondoso sucesso de vendas, como gerou reacção da concorrência”, conta, ao mesmo tempo que considera que o sucesso do produto fez com que a Gordon’s saísse ainda mais reforçada como a marca de gin preferida dos consumidores angolanos.
A capacidade instalada da DIREF, explica o gerente, é de cerca de 1.500 caixas por dia de destilados em garrafa (não só do gin, mas de outros produtos). Desde 2018, os volumes produzidos têm aumentado ano após ano, tendo atingido o máximo no final de 2020. Para este ano, estima uma tendência de crescimento de 15% nos actuais SKU’s produzidos e que serão complementados com os novos a serem lançados no decorrer de 2021, todos produzidos em Angola.
Rui considera que o surgimento de novos players no mercado é visto com bons olhos, desde que cumpram com a legislação em vigor relativa à produção de bebidas destiladas, bem como com a regulamentação do sector e que pratiquem os regimes de fiscalidade previstos na lei, sem esquecer a promoção de um consumo responsável de bebidas alcoólicas.
“O lançamento de novas marcas e conceitos, neste segmento de mercado, será sempre merecedor da nossa atenção. O nosso pipeline de inovação para Angola é denso e alguns dos projectos poderão passar pela introdução de marcas especificamente desenvolvidas para o mercado angolano, na categoria de gin e outros destilados”
Por outro lado, defendeu que, nos dias de hoje, a fiscalização das prácticas comerciais e da qualidade dos produtos presentes e comercializados no mercado, é indispensável para que todos os players possam actuar em pé de igualdade.
Gordon´s angolano com o mesmo padrão internacional
Rui Garcia garantiu que o Gin Gordon’s produzido em Angola tem os mesmos padrões de qualidade do Gordon’s concebidos na casa-mãe. “O processo produtivo é certificado pelo envio de amostras que ocorrem em todas as produções efectuadas em Angola”, explica acrescenta que, “derivado do exigente padrão de qualidade, existem ainda algumas dificuldades em encontrar localmente matérias-primas certificadas, no que respeita aos standards de qualidade da Diageo”.
Tal situação tem implicado um aumento da complexidade da operação por exigir o recurso à importação de alguns dos componentes necessários à produção de Gordon’s. Por isso, adianta, “estamos em processo contínuo, juntamente com a Refriango, na busca de fornecedores locais, para a certificação dos mesmos para que seja possível que as actuais importações venham a ser substituídas por compras locais”. Esta, realça, é uma forma de se fomentar a economia nacional e reduzir a necessidade de recurso às divisas.





