A Meteorizações, primeira exposição antológica da artista Filipa César, em Portugal, que reúne mais de quinze anos de pesquisa, produção e colaborações, foi inaugurada, em Serralves, Porto.
O título remete para um conceito geológico usado por Amílcar Cabral para pensar a relação entre território, história e transformação, orientando o percurso da exposição e a forma como são apresentados imagens, sons e memórias e reflete sobre ecos coloniais da Guiné-Bissau em Serralves.
“Meteorizações articula diferentes épocas e materiais, convidando o público a refletir sobre processos e poéticas de resistência e a sua utilidade no presente”, lê-se num comunicado publicado no Website Fundação de Serralves.
A mostra apresenta filmes, objectos e documentos que evocam eventos históricos como a desobdiência antifascista portuguesa e a resistência anticolonial guineense, atravessando os arquivos audiovisuais do período das lutas de libertação, refleções sobre o mangal, políticas da óptica e da tecelagem, e o pensamento agropoético de Amílcar Cabral.
A exposição antológica revela um processo continuo de investigação ao longo dos últimos 15 anos, em colaboração com investigadores, cineastas e comunidades locais, incluindo uma estreita colaboração com o realizador guineense Sana na N´Hada, que filmou a guerrilha e foi responsável do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual da Guiné-Bissau.
De acordo com a nota, trata-se de uma exposição que “constrói relações transversais entre diferentes tempos, suportes e contextos”, convidando “o público a pensar criticamente o passado colonial e os seus efeitos no presente”.
A exposição “Meteorizações” vai ficar patente em Serralves até 31 de Maio.
Filipa César tem vindo a investigar a prática de cinema militante e a agropoética do movimento de libertação africano na Guiné-Bissau – ou seja, no contexto dos movimentos políticos e sociais que lutaram pela descolonização da África -, através da produção de oficinas, textos, filmes, performances, publicações e encontros comunitários.





