O ministro dos Transportes de Angola, Ricardo de Abreu, alertou para as perdas agrícolas provocadas pela insuficiência de estruturas logísticas adequadas e defendeu uma maior articulação entre produção, transporte, armazenamento e comercialização.
O governante falava na 23.ª edição do CaféCIPRA, realizada nesta Quarta-feira, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, sob o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.
O ministro destacou a dinamização da rede de plataformas logísticas, desenvolvida com recurso a parcerias com o sector privado. Indicou a plataforma logística da Caála, onde está a ser implementado um sistema de frio com contentores frigoríficos alimentados por painéis solares, destinado à conservação da produção agrícola antes da sua chegada aos mercados.
A solução, segundo o ministro, deverá ser replicada noutras regiões do país, incluindo o Namibe e zonas do norte de Angola. Angola está a desenvolver um novo eixo ferroviário que deverá ligar Malanje ao Cuito e Menongue, criando uma ligação entre os três caminhos-de-ferro e reforçando a capacidade de escoamento da produção para os principais mercados consumidores.
Ricardo de Abreu disse que a nova ligação permitirá colocar o eixo central da rede ferroviária “outra vez no centro do país”, aproximando as infra-estruturas dos centros de produção e criando melhores condições para a circulação de mercadorias. “Temos hoje, e aproveitando as infra-estruturas que temos, outras que estamos nesta altura a investir, que são os nossos caminhos- de -ferro ligados aos portos”, explicou.
Ricardo de Abreu referiu que a integração dos três caminhos-de-ferro, através de uma ligação que deverá partir de Malanje em direcção ao Cuito e Menongue, constitui uma das apostas do Executivo para aumentar a capacidade de transporte e escoamento da produção nacional.
A iniciativa enquadra-se na estratégia de promoção dos corredores de desenvolvimento e na transformação estrutural da economia angolana, com objectivo de fortalecer a produção interna, reduzir a dependência das importações e aumentar a capacidade de exportação.
Para o ministro, esta transformação exige uma actuação coordenada entre os sectores das infra-estruturas, produção e transportes, bem como uma participação mais activa do sector privado.
Apesar dos investimentos no sector ferroviário, Ricardo de Abreu destacou o papel estratégico da rede rodoviária, afirmando que as estradas continuam a ser as infra-estruturas que mais carga movimenta no país.
“As estradas são, de longe, as infra-estruturas que mais carga transporta para o nosso país”, afirmou, defendendo a necessidade de uma rede rodoviária cada vez mais eficiente, segura e rápida, sobretudo nas ligações entre as zonas de produção e os mercados consumidores.
O ministro sublinhou ainda que os investimentos em infra-estruturas devem acompanhar o crescimento demográfico previsto para as próximas décadas.
“Dentro de sensivelmente 20, 25 anos, nós teremos o dobro da população que temos hoje”, afirmou, alertando para a necessidade de aumentar a capacidade de produção, distribuição e conservação de alimentos. No encontro, a agricultura familiar foi apontada como um dos segmentos que mais necessita de uma cadeia logística integrada.
Segundo Ricardo de Abreu, enquanto alguns produtores empresariais já conseguem assegurar, com investimento próprio, parte significativa da logística até aos mercados consumidores, a agricultura familiar enfrenta maiores dificuldades no transporte, armazenamento e conservação da produção.





