Moçambique é o país com maior risco em África – Oxford Economics

Moçambique é o país com maior risco em África, ultrapassando o Zimbabué, de acordo com o índice de risco da consultora Oxford Economics, que antevê uma desvalorização do metical de 25% até final do ano. "Uma desvalorização parece inevitável para o metical; um peso da dívida insustentável significa que o Governo vai ter de ceder…
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Moçambique ultrapassou o Zimbabué e é agora a nação com o valor mais elevado, mais de 75 pontos, numa escala onde o Maláui e o Zimbabué aparecem na segunda e terceira posição, com Angola a ocupar o sétimo lugar entre 25 países analisados.
Economia

Moçambique é o país com maior risco em África, ultrapassando o Zimbabué, de acordo com o índice de risco da consultora Oxford Economics, que antevê uma desvalorização do metical de 25% até final do ano.

“Uma desvalorização parece inevitável para o metical; um peso da dívida insustentável significa que o Governo vai ter de ceder às exigências do Fundo Monetário Internacional, com a reforma da taxa de câmbio a ser muito provavelmente uma das condições para um pacote de ajuda, por isso antevemos que o metical perca um quinto do seu valor antes da segunda metade do ano”, escrevem os analistas.

No relatório sobre o índice do risco dos países africanos, enviado aos clientes, Moçambique ultrapassou o Zimbabué e é agora a nação com o valor mais elevado, mais de 75 pontos, numa escala onde o Maláui e o Zimbabué aparecem na segunda e terceira posição, com Angola a ocupar o sétimo lugar entre 25 países analisados.

“A economia devastada do país sofreu novos golpes com as piores inundações das últimas décadas, o encerramento planeado da fundição Mozal e os trabalhos de manutenção na Coral South FLNG”, a plataforma de produção de gás flutuante ao largo da província de Cabo Delgado.

Na análise trimestral à evolução das principais economias africanas, a Oxford Economics diz ainda que, “apesar da violência pós-eleitoral ser uma coisa do passado, os factores que levaram à instabilidade permanecem e precisam de ser abordados de forma substantiva para evitar uma nova ocorrência”.

Para além disso, continuam os analistas, “a coesão social vai também ser testada pelas inundações devastadoras no sul do país, e as necessárias reformas económicas vão causar dificuldades às finanças públicas”, num contexto de “dificuldades nos últimos meses, com quebras das reservas em moeda externa e enfraquecimento significativo da perspectiva de evolução da economia”.

O relatório da Oxford Economics, diz a Lusa, foi enviado na mesma altura em que a consultora reviu em baixa a previsão de crescimento da economia moçambicana, de 2,5% para 0,3% este ano.

“Infelizmente, antevemos que a economia de Moçambique vá enfrentar mais um ano difícil em 2026”, escrevem os analistas num comentário aos números do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2025, que mostram uma expansão de 4,67% face ao período homólogo de 2024.

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