As autoridades moçambicanas lançaram nesta Terça-feira um plano de assistência humanitária avaliado em 48,9 mil milhões de meticais (709,6 milhões de euros) para apoiar aos deslocados internos afectados pelos desastres naturais e insegurança armada no país.
“O presente plano define as ações de resposta à deslocação interna e redução da pobreza em matérias de acesso aos serviços sociais básicos como a educação, saúde, saneamento e abastecimento de água, inclusão e segurança social, bem como protecção e oportunidades económicas”, disse a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, durante o lançamento da estratégia denominada “plano de Acção Nacional para Gestão de Deslocados Internos”, em Maputo.
Segundo a representante, espera-se que o plano reduza o número de pessoas em risco de deslocamentos no país, além de criar um ambiente favorável para que as pessoas deslocadas encontrem “soluções duradouras” e integração.
“A Política e Estratégia de Gestão dos Deslocados Internos identificam ações para reduzir o risco de deslocamento, com destaque para o mapeamento e avaliação do risco de deslocamento; o encorajamento da retirada voluntária de áreas de alto risco, e o fortalecimento dos sistemas de aviso prévio”, explicou ainda Luísa Meque.
Segundo dados oficiais, o número de deslocados internos em Moçambique passou de 609 mil para mais de 800 mil, desde 2023.
Moçambique é considerado um dos mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.
Só entre dezembro e março últimos, na atual época ciclónica, o país já foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o mais grave, que, além da destruição de milhares de casas e infra-estruturas, provocaram cerca de 175 mortos, no norte e centro do país.
Eventos extremos, como ciclones e tempestades, provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O país africano, diz a Lusa, é considerado um dos mais severamente afectados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.