Moçambique recebe 545 cidadãos repatriados após onda de xenofobia na África do Sul

Moçambique recebeu 545 cidadãos repatriados da República da África do Sul na sequência dos recentes actos de xenofobia registados em Mossel Bay, na província sul-africana do Cabo Ocidental, numa operação coordenada pelas autoridades dos dois países para garantir o regresso seguro dos afectados. Segundo um comunicado consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, os cidadãos entraram em…
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Centenas de moçambicanos regressaram ao país através da fronteira de Ressano Garcia após episódios de violência xenófoba na cidade sul-africana de Mossel Bay. O Governo moçambicano está a acompanhar a situação dos cidadãos afectados.
Economia

Moçambique recebeu 545 cidadãos repatriados da República da África do Sul na sequência dos recentes actos de xenofobia registados em Mossel Bay, na província sul-africana do Cabo Ocidental, numa operação coordenada pelas autoridades dos dois países para garantir o regresso seguro dos afectados.

Segundo um comunicado consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, os cidadãos entraram em território nacional através do Posto Fronteiriço de Ressano Garcia, onde foram submetidos a procedimentos de registo migratório, triagem sanitária e assistência humanitária antes de serem encaminhados para as respectivas províncias de origem.

Além do acolhimento institucional, os repatriados beneficiaram de refeições quentes, lanche para viagem e apoio logístico para facilitar a deslocação até aos seus destinos finais. Dos 545 cidadãos recebidos, 337 seguiram para a província de Gaza, 105 para a província de Maputo, 78 para Inhambane, 17 para a cidade de Maputo e oito para Manica.

A operação envolveu diversos organismos do Estado moçambicano, incluindo os sectores da migração, saúde, assistência social e gestão de riscos e emergências, contando igualmente com o apoio das missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul.

Embora estivessem inicialmente previstos para repatriamento 584 cidadãos, apenas 545 concluíram o regresso ao país. De acordo com as autoridades, a diferença deve-se a situações identificadas durante o processo de triagem e controlo migratório.

Entre os casos pendentes encontra-se o de uma criança retida pelas autoridades sul-africanas para verificação documental, bem como cidadãos que optaram por desistir do repatriamento antes da conclusão dos procedimentos administrativos.

O Governo moçambicano assegura que continua a acompanhar estes processos em articulação com as autoridades sul-africanas, prestando assistência consular e garantindo a protecção dos direitos dos cidadãos envolvidos.

Os acontecimentos em Mossel Bay voltam a trazer para o debate a vulnerabilidade de comunidades migrantes na África do Sul, país que acolhe uma significativa diáspora moçambicana e onde, ciclicamente, se registam episódios de tensão social e violência contra cidadãos estrangeiros.

Neste contexto, o Executivo moçambicano reafirma que continuará a monitorar a situação dos seus nacionais afectados pelos actos de xenofobia, garantindo apoio humanitário, assistência consular e mecanismos de reintegração para os cidadãos que regressem ao país.

A resposta coordenada das autoridades procura não apenas assegurar o acolhimento imediato dos repatriados, mas também minimizar os impactos sociais e económicos que estes episódios podem provocar em centenas de famílias dependentes dos rendimentos obtidos pelos trabalhadores moçambicanos na África do Sul.

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