Depois de uma pausa de quase sete anos, o festival Mozambique Music Meeting (MMM) regressa a Maputo com a ambição de estruturar um mercado profissional para projectar internacionalmente a nova geração de músicos moçambicanos, apresentando até este Domingo 15 showcases de artistas emergentes na terceira edição do evento.
Mais do que um festival, o MMM posiciona-se como uma plataforma de exportação da música moçambicana, reunindo artistas, programadores de festivais, agentes culturais e profissionais da indústria musical numa agenda que inclui concertos, conferências, workshops e reuniões de networking.
Organizado pela Ekaya Productions e pela Marrabenta Mais, o evento seleccionou 15 artistas entre mais de 100 candidaturas, evidenciando o crescimento da produção musical emergente em Moçambique. As actividades decorrem em vários espaços culturais da capital, incluindo o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), o Gil-Vicente Café Bar e a Casa Marrabenta.
A edição de 2026 reúne artistas moçambicanos como António Marcos, Timbila Groove Band, Radja Ali, Matchume Zango e Laylizzy, ao lado de nomes internacionais como Sibusile Xaba, Nomfusi, L8 Antique e Brandon Aura, da África do Sul, bem como Celeste Caramanna, de Itália, e Marta Pereira da Costa, de Portugal.
O festival arrancou na Quarta-feira, 04, com um espectáculo no Centro Cultural Franco-Moçambicano, afirmando-se como uma vitrine profissional para aproximar a música moçambicana dos mercados internacionais.
Segundo o director do festival, Joni Schwalbach, a realização da terceira edição marca um passo importante para consolidar a plataforma. “Finalmente, depois de muitos anos, conseguimos fazer a terceira edição do MMM. Esta é uma plataforma para exposição, promoção e exportação dos nossos artistas”, afirmou.
O responsável sublinhou que o evento nasceu da constatação de que a nova geração de músicos moçambicanos continua a ter reduzida visibilidade internacional, apesar da crescente vitalidade criativa do sector musical no país.
Para além da promoção de artistas, o MMM procura também fortalecer o ecossistema da música ao vivo em Maputo, envolvendo salas de espectáculos e espaços culturais locais no circuito do evento.
“Um dos objectivos é promover os artistas, mas também o ecossistema dos espaços que promovem a música. São estes lugares que os profissionais internacionais precisam conhecer, onde se toca, onde a música respira na cidade”, destacou Joni Schwalbach.
Entre os profissionais internacionais presentes está Carlos Seixas, director artístico e de produção do Festival Músicas do Mundo, realizado em Sines, em Portugal. Para o programador, o MMM pode desempenhar um papel estratégico na projecção da música da África austral, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais.
Entre os principais desafios apontados estão as dificuldades na obtenção de vistos e a escassez de mecanismos de apoio à mobilidade internacional de artistas africanos, factores que continuam a limitar a circulação global de músicos da região.
“É preciso que os artistas tenham apoios e sejam encaminhados para que as carreiras internacionais aconteçam”, defendeu.
Num contexto em que a economia criativa africana procura ganhar escala global, iniciativas como o Mozambique Music Meeting procuram posicionar Maputo como um ponto de encontro entre talento local e a indústria musical internacional, reforçando o papel da música como activo cultural e económico para Moçambique.




