O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento diz que África não deve estar dependente do resto do mundo e acredita que o continente sairá mais forte da pandemia de covid-19. Akinwumi Adesina é o primeiro nigeriano a liderar os destinos do BAD.
“Os países africanos infelizmente não tiveram um acordo justo no que diz respeito ao acesso às vacinas Covid-19”. Akinwumi Adesina, presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, não esconde a desilusão e indignação em relação à forma desigual como as nações desenvolvidas geriram o processo de vacinação. Em entrevista à Forbes África Lusófona, o economista agrícola nigeriano critica o que descreve como um sistema de vacinas injusto e a “lamentável escassez de vacinas disponíveis para o continente que não chegam na quantidade certa, no momento certo e ao preço certo”.
“Se há uma lição a aprender, é que África não deve depender do resto do mundo para o fornecimento de vacinas e terapêuticas essenciais. África precisa de soluções para navegar pelos tempos muito desafiadores impostos pela pandemia”, afirma Adesina, cuja instituição que lidera, diz, “agiu rapidamente para lançar um mecanismo de 10 mil milhões USD para apoiar os países”.
“Uma coisa ficou clara com esta pandemia. África não devia estar a implorar por vacinas, devia sim, estar a produzi-las”, vinca Adesina, acrescentando que o Banco Africano de Desenvolvimento apoiará a produção de vacinas, o desenvolvimento de capacidades, as transferências de direitos de propriedade intelectual e uma fundação farmacêutica para apoiar as iniciativas em escala.
Ainda assim, o economista não atribui as culpas quanto ao atraso na vacinação ao mecanismo COVAX. “A taxa de vacinação em África está abaixo do resto do mundo, sim, mas não podemos culpar a COVAX”, diz, ressalvando que o mecanismo internacional “salvou vidas e continua a fazê-lo. O facto é que em comparação com muitas partes do mundo desenvolvido, onde existem elevadas taxas de vacinação, África apresenta uma taxa de um único dígito inferior a 3%. Portanto, há um longo caminho a percorrer e muito a fazer”.
Apesar do impacto da pandemia, não só em termos de vidas, mas também economicamente, o presidente do BAD está confiante de que África está no caminho da recuperação. “As coisas já estão a melhorar e projetamos que o crescimento do PIB africano recupere para 3,4% este ano. Mas, dito isto, a recuperação económica de África ainda dependerá do acesso às vacinas”, afirma Adesina, para quem a covid-19 serviu para “perceber que chegou a hora de construir rapidamente um sistema de defesa de saúde para África”.
“O Banco Africano de Desenvolvimento está a investir na construção de infra-estruturas de saúde de qualidade para África”, acrescenta.