O número de estudantes imigrantes duplicou na última década em Portugal, com o Brasil a liderar os países da CPLP que mais procuram o ensino superior nacional, revelou um estudo do Centro de Formação Prepara Portugal na véspera do Dia do Estudante.
Segundo dados da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e da Pordata analisados no levantamento, o número de estudantes internacionais nas universidades portuguesas mais do que duplicou em 10 anos, passando de cerca de 20 mil em 2015 para aproximadamente 42 mil em 2024, o que representa aproximadamente um em cada 10 estudantes do ensino superior no país.
Cerca de 50% chegam de Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sendo o Brasil o país com maior percentagem de estudantes no ensino superior em busca de qualificação (mais de 70%), seguido da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste.
“Portugal fala, falamos o mesmo idioma, quando os estudantes no Brasil pensam internacionalizar a sua carreira, encontram Portugal como falante da mesma língua e a possibilidade de dar sequência aos seus estudos académicos, utilizando o português”, afirmou Higor Cerqueira, fundador e director pedagógico do Centro de Formação Prepara Portugal.
“Logo em seguida, sendo Portugal na União Europeia e utilizando os protocolos para a matrícula na universidade, possibilita-se a autorização de residência para fins de estudo. Fazer uma universidade em Portugal é garantir uma certificação que não é válida só em Portugal, mas em toda a Europa, graças ao Tratado de Bolonha, coisa que não acontece no Brasil”, acrescentou, apontando a possibilidade de progressão da carreira, como motivação acrescida “para trabalhar em mercados internacionais e em vários países da Europa”.
No estudo do Centro de Formação Prepara Portugal aponta-se assim para o peso crescente da presença internacional no ensino superior português, e reforça-se a ideia da imigração para fins de estudo como uma das principais razões para o aumento da população estrangeira no país.
Higor Cerqueira disse que os números consolidam Portugal como destino académico internacional e dão resposta ao mercado de trabalho.
“Num país marcado pelo envelhecimento da população e pela saída de jovens para o estrangeiro, a chegada de imigrantes em idade activa e interessados em formação surge como um fator relevante para a renovação da força de trabalho e para o dinamismo de diferentes setores da economia”, avaliou Cerqueira, citada pela Lusa.



