A consultora britânica Oxford Economics reviu em baixa a previsão da inflação para Angola, antecipando agora uma subida média dos preços de 11,2% em 2026, abaixo dos 13,6% anteriormente estimados e significativamente inferior aos 20,2% registados em 2025.
A revisão surge numa altura em que os indicadores macroeconómicos começam a apontar para uma desaceleração mais consistente da pressão inflacionista no país.
Num comentário enviado aos clientes, a que a Lusa teve acesso, os analistas do departamento africano da consultora destacam que a inflação deverá continuar a desacelerar ao longo do ano, ao mesmo tempo que a taxa de juro de referência deverá situar-se, em média, nos 16,3%.
Segundo a Oxford Economics, Angola encontra-se relativamente protegida dos efeitos inflacionistas associados à subida dos preços internacionais do petróleo, ao contrário do que acontece em várias economias africanas importadoras líquidas de combustíveis. A consultora sustenta que a valorização do Brent deverá traduzir-se num aumento significativo das entradas de divisas, permitindo ao país preservar a estabilidade cambial e reduzir os impactos da inflação importada.
“Acreditamos que os preços mais elevados do petróleo Brent conduzirão a um aumento substancial das entradas de divisas, permitindo ao país manter confortavelmente a sua taxa de câmbio controlada”, referem os analistas, acrescentando que esse cenário tende a proteger a economia interna da pressão sobre os preços dos bens importados.
A revisão da Oxford Economics surge poucos dias depois de o Banco Nacional de Angola (BNA) também ter reduzido as suas projecções para a inflação. O regulador monetário estima agora uma subida média dos preços de 11,5% este ano, face aos 13,5% anteriormente previstos, reforçando os sinais de desaceleração da inflação na economia angolana.
Os dados mais recentes confirmam esta tendência. Em Abril, a inflação mensal fixou-se em 0,58%, ligeiramente acima dos 0,55% registados em Março. Já a inflação homóloga manteve a trajectória descendente, recuando de 12,42% para 11,58%.
Apesar do optimismo, a consultora alerta que os preços elevados do petróleo continuam a representar um risco potencial para a estabilidade dos preços e para a política monetária. Na semana passada, o BNA reduziu a taxa de juro directora de 17,5% para 17%, numa decisão interpretada pelo mercado como um sinal de maior confiança na trajectória descendente da inflação.
Ainda assim, a Oxford Economics sublinha que a limitada capacidade de refinação do país – actualmente suficiente para responder a apenas cerca de 30% da procura interna – continua a deixar Angola vulnerável a choques externos no mercado petrolífero. Num cenário extremo, em que o preço do Brent ultrapasse os 150 dólares por barril durante quatro meses consecutivos, os custos acrescidos das importações de combustíveis refinados poderiam exercer forte pressão sobre as reservas internacionais e alimentar novas tensões inflacionistas.
Nesse contexto, acrescenta a consultora, o BNA poderia ser forçado a voltar a subir a taxa de juro de referência para conter a escalada dos preços.
Apesar disso, os analistas consideram pouco provável um cenário de agravamento acentuado da política monetária. As previsões da Oxford Economics apontam para um preço médio do Brent de 117,3 dólares por barril no segundo trimestre e de 89,2 dólares no terceiro trimestre, valores bastante abaixo do cenário de crise considerado mais pessimista.





