O enviado especial da União Africana (UA) à Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, considerou existir margem para melhorar o ambiente político naquele país lusófono, mas que tal só será possível com a participação efectiva de todas as partes envolvidas no processo.
Trovoada, que de 19 a 20 de Fevereiro cumpriu uma missão da UA com o objectivo de contribuir para a estabilização da paz interna e auscultar os principais actores políticos e institucionais do país, recordou que, na última cimeira da organização, encerrada a 16 do corrente mês, foi reforçada a necessidade de pôr termo às situações de instabilidade no continente.
O diplomata sublinhou que a crise política guineense deverá, em última instância, ser resolvida pelos próprios guineenses, posição que reflecte a abordagem recorrente da União Africana de privilegiar soluções internas, ainda que sob acompanhamento regional. “É necessário ouvir atentamente todas as partes”, afirmou Patrice Trovoada.
No decurso da visita, o ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe foi recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, João Bernardo Vieira. Seguiram-se encontros com o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Npabi Cabi, e com o Procurador-Geral da República, Amadu Tidjane.
Antes de audiência com o Presidente da República de transição, Horta Inta-a, no Palácio Cor-de-Rosa, manteve um encontro com o primeiro-ministro guineense, Ilídio Vieira Té, na Primatura. Da agenda constou igualmente uma reunião com o candidato presidencial Fernando Dias.
O enviado especial informou ainda que aguardava autorização para visitar o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, actualmente em regime de prisão domiciliária, “situação que requer autorizações específicas”.
Poucas horas antes do regresso, após contactos com representantes da sociedade civil e entidades acreditadas no país, Trovoada reafirmou que a sua missão terminava no momento em que embarcava, mantendo-se, até lá, atento aos desenvolvimentos políticos.
Depois da visita a Guiné-Bissau, Patrice Trovoada regressará a Adis Abeba, sede da União Africana, onde será elaborado, em conjunto com os seus pares, um parecer final sobre a situação no país que, em Novembro de 2025 viu a ordem constitucional ser alterada, com a deposição do então Presidente da Republica, Umaro Sissoco Embaló e subsequente tomada do poder pelo Alto Comando Militar.
Num contexto de recorrente instabilidade institucional, a presença de um enviado especial da organização continental procura reforçar a mediação política e promover condições mínimas de previsibilidade e diálogo, elementos considerados essenciais para a consolidação da paz e da estabilidade democrática no país.





