O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, nesta Quarta-feira, 31, destacou o desporto como uma das mais poderosas expressões da alma cabo-verdiana, realçando as históricas qualificações das selecções nacionais de futebol, masculina para o Mundial 2026 e feminina para o CAN, como momentos de “alegria colectiva”, capazes de unir o país num mesmo sentimento de pertença, orgulho e confiança no futuro.
Numa mensagem de Ano Novo, o chefe de Estado apontou que o país encerra um ciclo histórico de meio século de liberdade, democracia e estabilidade.
Para o Presidente da República, os Tubarões Azuis simbolizam mais do que vitórias desportivas, representando a capacidade de Cabo Verde acreditar em si próprio, vencer pelo mérito e provar que, quando caminha unido, o país é capaz de alcançar palcos outrora inimagináveis.
José Maria Neves apelou à união nacional, preparação face às alterações climáticas e ao reforço da democracia cabo-verdiana, afirmando que Cabo Verde deve entrar no novo ano “unido, arrojado, próspero e feliz”.
Salientou ainda a força de um povo que, em 50 anos de independência, soube transformar fragilidades em conquistas e que o país tem sido construído com sacrifício, coragem e perseverança, enfrentando obstáculos aparentemente intransponíveis” e afirmando-se no mundo com dignidade.
Recordou também o lado mais duro de 2025 vivido em Cabo Verde, assinalado pelas tempestades que atingiram sobretudo São Vicente e Santiago Norte.
“As consequências foram catastróficas, com devastação nunca vista e a trágica perda de vidas humanas”, afirmou, acrescentando que estes fenómenos evidenciaram fragilidades do país face às alterações climáticas.
Neste contexto, defendeu uma resposta mais firme e antecipada do Estado, considerando que “só intervenções consistentes, estruturantes e não deferidas no tempo serão capazes de aumentar a resiliência dos cabo-verdianos”.
José Maria Neves enquadrou, por outro lado, 2026 como “um ano de grande significado político”, com a celebração dos 35 anos da democracia representativa e a realização de eleições legislativas e presidenciais.
Reforçou que a liberdade conquistada nestes 35 anos deve continuar a ser cuidada e protegida, não apenas nas instituições, mas no coração de cada cidadão, como património comum e inegociável.
Num contexto internacional que classificou como de “policrise” e de ameaças à democracia, apelou à serenidade, ao diálogo e ao respeito pelas instituições, desejando que “vença a força dos argumentos” e que seja revertido o actual clima de crispação política.
No plano externo, Neves defendeu que Cabo Verde deve continuar a apostar no multilateralismo, no direito internacional, na paz e na cooperação entre os Estados.
“Temos de ser capazes de cuidar e proteger as comunidades da diáspora e fazer de Cabo Verde um porto seguro para todos os seus filhos”, afirmou.
O Presidente manifestou, ainda, confiança de que as selecções nacionais de futebol, andebol e basquetebol continuarão a levar o nome de Cabo Verde além-fronteiras, projectando a imagem de um povo resiliente, talentoso e determinado, capaz de emocionar e inspirar.
A concluir, deixou uma mensagem de esperança e proximidade, desejando que 2026 seja um ano de paz, saúde e felicidade, em que os cabo-verdianos, onde quer que estejam, se reconheçam na mesma história, no mesmo orgulho e no mesmo futuro partilhado.





