PR moçambicano quer banco central mais ligado à economia real

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, desafiou esta Quarta-feira, 02, o novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha, a romper com uma visão limitada à estabilidade macroeconómica e a colocar o banco central no centro da transformação da economia, garantindo que a estabilidade monetária se traduza em mais crédito, produção, investimento, emprego e oportunidades…
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Daniel Chapo diz que o principal desafio da nova liderança será conciliar a preservação da estabilidade macroeconómica e financeira com o crescimento e desenvolvimento económico.
Economia

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, desafiou esta Quarta-feira, 02, o novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha, a romper com uma visão limitada à estabilidade macroeconómica e a colocar o banco central no centro da transformação da economia, garantindo que a estabilidade monetária se traduza em mais crédito, produção, investimento, emprego e oportunidades para os moçambicanos.

Durante o seu discurso por ocasião da tomada de posse do novo dirigente do Banco Central, o Chefe do Estado afirmou que o principal desafio da nova liderança será conciliar a preservação da estabilidade macroeconómica e financeira com o crescimento e desenvolvimento económico.

“O desafio não é escolher entre estabilidade e crescimento”, disse, defendendo que a estabilidade deve constituir uma plataforma para o investimento interno e externo, a produção e um crescimento económico sustentável e inclusivo.

O Presidente Chapo destacou que a estabilidade financeira é indispensável para a planificação e o investimento, mas advertiu que não pode existir estabilidade sustentável numa economia que produz abaixo das suas potencialidades, possui uma base de exportações pouco diversificada e permanece vulnerável aos choques externos.

“Queremos estabilidade, mas queremos, igualmente, que os benefícios dessa estabilidade sejam sentidos na economia real da República de Moçambique”, afirmou.

Entre os principais desafios colocados ao novo Governador está o aprofundamento do funcionamento do mercado cambial, mormente perante as preocupações dos agentes económicos sobre o acesso às divisas para financiar matérias-primas, equipamentos e outras operações.

Para o estadista, a resposta estrutural aos constrangimentos cambiais passa por produzir mais, exportar mais, diversificar as exportações e transformar localmente os recursos.

O Chefe do Executivo apontou também o crescimento da dívida pública interna como uma questão que requer prudência, alertando que o recurso persistente ao financiamento doméstico pode pressionar as taxas de juro, a liquidez e os recursos disponíveis para o sector produtivo.

Neste contexto, desafiou o Governo, particularmente o Ministério das Finanças, a trabalhar com o Banco de Moçambique e o sistema financeiro em geral para melhorar a gestão da liquidez pública e reduzir necessidades evitáveis de financiamento e o custo do endividamento interno.

O Presidente moçambicano defendeu igualmente maior coordenação entre as políticas fiscal, monetária e financeira, de modo a assegurar que o financiamento das necessidades do Estado não limite o acesso ao crédito por parte da agricultura, indústria, turismo, transportes e logística, pequenas e médias empresas, jovens e mulheres empreendedoras.

“A política fiscal, o financiamento interno, a liquidez e a política monetária estão profundamente interligados, em qualquer economia do mundo, daí que repito: quem dirige a política monetária, quem dirige a política fiscal e quem dirige a política financeira devem, permanentemente, conversar”, afirmou.

No domínio do crédito, o Chefe do Estado reconheceu que não cabe ao Banco Central determinar a quem os bancos comerciais devem emprestar, mas defendeu que a instituição deve contribuir para um sistema financeiro “sólido, competitivo, transparente, íntegro, moderno e eficiente”.

Indagou-se ainda sobre como acelerar a industrialização e desenvolver cadeias de valor se as empresas não conseguem financiar máquinas e equipamentos ou se os produtores não têm acesso a recursos para financiar a produção.

Ademais, apelou à modernização do Banco de Moçambique perante as transformações tecnológicas do sistema financeiro mundial, incluindo a digitalização dos pagamentos, as fintech e as exigências de cibersegurança, defendendo uma maior inclusão financeira.

“O Banco de Moçambique deve conhecer não apenas os indicadores macroeconómicos, mas a economia que existe por detrás dos números. Deve dialogar com o Moçambique real e trabalhar com base na economia real”, afirmou.

Na cerimónia, o Presidente da República reconheceu os dez anos de liderança de Rogério Zandamela, marcados por sucessivos choques económicos e financeiros, incluindo as pressões cambiais e inflacionárias de 2016, os ciclones Idai, Kenneth e Freddy, a pandemia da Covid-19 e os efeitos dos conflitos internacionais.

Ao novo Governador, pediu rigor, competência, integridade, profissionalismo e capacidade de diálogo. “Preserve aquilo que foi conquistado durante os 10 anos. Corrija aquilo que precisa de ser corrigido. Modernize aquilo que precisa de ser modernizado”, exortou.

 

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