O Governo angolano já arrecadou 380 milhões de dólares em prémios de concessão no sector dos Transportes, um modelo de geração de receitas tradicionalmente associado à indústria petrolífera, anunciou esta Quarta-feira, 3, em Luanda, o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu.
O governante revelou igualmente que o programa de concessões permitiu mobilizar um volume global de investimentos de 2,7 mil milhões de dólares, enquanto as rendas fixas projectadas ao longo da vigência dos contratos ascendem a cerca de 3 mil milhões de dólares, reforçando o potencial de retorno económico das infra-estruturas concessionadas.
Os números foram apresentados durante o Executive Breakfast subordinado ao tema “Sector dos Transportes e Banca Nacional – Oportunidades de Negócio para Alavancar o Sector dos Transportes”, iniciativa promovida para aproximar o sistema financeiro nacional dos projectos estratégicos em curso no sector.
“Quando arrancámos com o programa de concessões, o nosso grande objectivo era garantir não só uma melhoria da capacidade e eficiência operacional das nossas infra-estruturas, mas também conseguirmos a sua integração num contexto mais regional e global”, afirmou Ricardo Viegas D’Abreu.
O ministro destacou que os resultados alcançados demonstram a crescente atractividade dos activos de transportes para investidores privados, num contexto em que o Executivo procura posicionar Angola como uma plataforma logística regional capaz de servir mercados da África Austral e Central.
Segundo o responsável, a actual carteira de projectos estruturantes do sector ultrapassa os 10 mil milhões de dólares e inclui iniciativas nos segmentos da mobilidade urbana, aeroportos, portos, logística e caminhos-de-ferro.
Entre os principais projectos constam o Programa de Mobilidade Urbana de Luanda (PRO-MMUL), o Metro de Superfície de Luanda, os corredores de Bus Rapid Transit (BRT), a ligação ferroviária entre o centro da capital e o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN), a Cidade Aeroportuária do Icolo e Bengo, o Porto de Águas Profundas do Amboim, a expansão da Rede Nacional de Plataformas Logísticas e o desenvolvimento dos corredores ferroviários do Lobito, Malanje e Namibe.

Para concretizar estes investimentos, Ricardo Viegas D’Abreu defendeu uma participação mais activa da banca nacional, considerando que o sector financeiro pode desempenhar um papel decisivo na transformação dos projectos em activos produtivos com impacto directo na economia.
“O desafio é transformar liquidez em activos produtivos, criando condições para que a banca nacional participe de forma mais activa no financiamento de infra-estruturas estruturantes que geram crescimento, emprego e desenvolvimento económico”, afirmou.
O governante sublinhou ainda que as reformas institucionais implementadas nos últimos anos reforçaram a credibilidade regulatória do sector dos Transportes, criando um ambiente mais favorável ao investimento privado através da atribuição de concessões e do desenvolvimento de parcerias público-privadas.
Numa leitura mais ampla, a estratégia do Executivo procura reduzir a dependência do financiamento público para grandes obras de infra-estruturas, transferindo parte do esforço financeiro para investidores privados e instituições bancárias, ao mesmo tempo que acelera a modernização da rede logística nacional.
Como próximo passo, o Ministério dos Transportes pretende seleccionar, nos próximos 90 dias, um conjunto de projectos-piloto que serão integrados num data room especializado para início da sua estruturação financeira em parceria com a banca nacional.
“Hoje não estamos apenas a discutir ideias. Estamos a iniciar um processo concreto e realista de estruturação financeira. Nos próximos 90 dias pretendemos seleccionar os primeiros projectos, disponibilizá-los num data room dedicado e trabalhar com a banca nacional para transformar oportunidades em investimentos reais, com impacto na economia e na vida dos cidadãos”, concluiu Ricardo Viegas D’Abreu.





