Primeira Cimeira Global de Investimento em África acontece este ano em Angola

Angola vai acolher este ano a primeira Cimeira Global de Investimento em África, anunciou o Presidente da República, João Lourenço, durante o seu discurso na cerimónia de lançamento oficial da referida cimeira, realizada esta semana, no Dubai, Emirados Árabes Unidos. Sem avançar datas concretas, o Chefe de Estado afirmou que o lançamento da Cimeira Global…
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Presidente angolano diz que evento representa igualmente um momento de mobilização colectiva para reafirmar que África está preparada para explorar novas formas de atracção de capital global, sustentadas na valorização dos seus activos soberanos.
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Angola vai acolher este ano a primeira Cimeira Global de Investimento em África, anunciou o Presidente da República, João Lourenço, durante o seu discurso na cerimónia de lançamento oficial da referida cimeira, realizada esta semana, no Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Sem avançar datas concretas, o Chefe de Estado afirmou que o lançamento da Cimeira Global de Investimento em África materializa o espírito da Cimeira Mundial de Governos, organizada pelos Emirados Árabes Unidos, enquanto espaço de reflexão sobre as mudanças na ordem mundial e sobre a necessidade de uma governação mais proactiva e responsável.

Segundo João Lourenço, o evento representa igualmente um momento de mobilização colectiva para reafirmar que África está preparada para explorar novas formas de atracção de capital global, sustentadas na valorização dos seus activos soberanos.

“Estamos a testemunhar uma grande mudança de paradigma sobre como atrair investimento para África, tendo presente a necessidade de África desbloquear o valor dos seus activos soberanos para acelerar o seu desenvolvimento e crescimento e alcançar a Agenda 2063, a “África que Queremos”, acrescentou.

No seu discurso, João Lourenço destacou ainda o papel estratégico de África na economia global, lembrando que o continente detém cerca de 40 por cento das reservas mundiais de minerais, metais e elementos raros, essenciais para a transição energética, produção de energias renováveis e para o desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia, incluindo baterias e veículos eléctricos.

“O gás natural de África pode alimentar os sistemas energéticos em todo o mundo”, afirmou, acrescentando que as florestas e a biodiversidade africanas integram o saldo global de recursos naturais disponíveis para o desenvolvimento sustentável.

Para o Presidente da República, África deve avançar na monetização destes activos soberanos como forma de desbloquear valor económico, sendo precisamente este um dos objectivos centrais da Cimeira Global de Investimento em África.

De acordo com João Lourenço, a iniciativa pretende funcionar como uma ponte institucional entre os países africanos e os investidores globais, garantindo segurança, sustentabilidade e benefícios mútuos. “É necessário demonstrar, de forma clara, que os investidores podem modelar os seus retornos de longo prazo com confiança”, referiu. Neste sentido, explicou que a cimeira irá trabalhar com os países africanos na criação de um ambiente de previsibilidade para o investimento, assente em regras estáveis, regimes de incentivos transparentes e respeito pelos contratos.

No caso concreto de Angola, o Presidente destacou a implementação de reformas estruturais com impacto económico e social significativo e deu a conhecer que, desde 2019, o país privatizou mais de 100 empresas anteriormente sob domínio público, e criou novas oportunidades nos sectores da energia, transportes, finanças, entre outros.

João Lourenço destacou ainda a simplificação dos procedimentos de investimento através da Janela Única de Investimento, bem como a modernização do quadro legal, com vista a garantir maior transparência e protecção ao investidor. Entre os activos soberanos estratégicos de Angola, o Chefe de Estado indicou a produção petrolífera, aliada à rápida expansão do sector das energias renováveis, com a meta de alcançar 70 por cento de energia renovável já no próximo ano.

Adicionalmente, disse que o sector mineiro, rico em diamantes, ouro e minerais críticos, tem sido alvo de reformas estruturais orientadas para a transparência e atractividade do investimento, enquanto a agricultura e o agronegócio continuam a ser áreas prioritárias, apoiadas por incentivos governamentais específicos

No domínio das infra-estruturas, João Lourenço realçou projectos estruturantes como o Corredor do Lobito, as novas concessões portuárias e aeroportuárias, que estão a posicionar Angola como um hub logístico regional, bem como os esforços do país para adopção da economia digital e abertura do sector das Tecnologias de Informação e Comunicação, e para a modernização dos serviços financeiros.

O chefe de Estado apelou à cooperação entre África e os investidores globais, através da Cimeira Global de Investimento em África, para a construção de um futuro com impacto duradouro para os povos africanos e para o mundo.

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