Produção acelera em Moçambique, mas crise de liquidez trava expansão empresarial

O sector privado moçambicano registou, em Março, uma aceleração da actividade produtiva, sustentada pelo aumento da procura e pelo reforço das encomendas. Ainda assim, persistem fragilidades estruturais, com destaque para os constrangimentos de liquidez e a retracção nas aquisições, segundo o índice PMI divulgado pelo Standard Bank. De acordo com o relatório consultado pela FORBES…
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O mais recente PMI do Standard Bank mostra um sector privado em crescimento, embora marcado por fragilidades estruturais e menor capacidade de investimento. Apesar do aumento da produção e das encomendas, as empresas moçambicanas enfrentam um ambiente desafiante.
Economia

O sector privado moçambicano registou, em Março, uma aceleração da actividade produtiva, sustentada pelo aumento da procura e pelo reforço das encomendas. Ainda assim, persistem fragilidades estruturais, com destaque para os constrangimentos de liquidez e a retracção nas aquisições, segundo o índice PMI divulgado pelo Standard Bank.

De acordo com o relatório consultado pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, o crescimento da produção foi acompanhado por uma expansão contínua das carteiras de encomendas, num contexto em que as empresas beneficiaram de maior procura e de novos contratos. Este dinamismo contribuiu, simultaneamente, para a redução das encomendas em atraso e para uma ligeira melhoria das perspectivas empresariais face ao mês anterior.

“O sector privado em Moçambique expandiu os seus níveis de produção a um ritmo mais acelerado em Março, impulsionado pelo crescimento das vendas e pela diminuição das encomendas pendentes”, refere o documento.

Contudo, o ambiente operacional continua condicionado. Problemas de liquidez e dificuldades no acesso a meios de produção levaram a uma queda acentuada nas aquisições, evidenciando limitações na capacidade de resposta das empresas. Em paralelo, o ritmo de criação de emprego abrandou significativamente, atingindo o nível mais baixo dos últimos dez meses.

Apesar destas pressões, os esforços de contenção de custos produziram efeitos visíveis. A inflação dos custos de produção abrandou para o nível mais baixo dos últimos cinco meses, com reflexo directo nos preços finais, que também registaram um crescimento mais moderado. Ainda assim, as expectativas empresariais, embora ligeiramente mais optimistas do que em Fevereiro, mantêm-se entre as mais baixas desde o final de 2020.

O Standard Bank recorda que leituras acima de 50 pontos no PMI indicam melhoria das condições empresariais, enquanto valores abaixo desse limiar reflectem deterioração. Em Março, o índice fixou-se nos 50,2 pontos, sinalizando uma recuperação marginal da actividade económica no sector privado.

A análise dos subcomponentes revela que o crescimento da produção, o mais robusto registado em 2026 até ao momento, compensou quedas nos indicadores de emprego e inventários. As empresas destacaram, em particular, o impacto positivo da procura acrescida, do aumento dos volumes de produção e da captação de novos negócios.

No entanto, este crescimento ocorre com nuances. Embora as carteiras de encomendas tenham aumentado pelo sexto mês consecutivo, a capacidade de produção adicional permitiu reduzir as encomendas em atraso, que registaram nova queda – a oitava em nove meses – sinalizando um ajustamento operacional mais eficiente, mas também possíveis limitações na sustentabilidade do ritmo de expansão.

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