Num contexto em que a transformação digital deixou de ser um exercício tecnológico para se afirmar como uma questão central de liderança, risco e responsabilidade, realizou-se, no dia 28 de Janeiro de 2026, em Luanda a primeira edição do Executive Leadership Roundtable – Governing the Digital Future, uma iniciativa exclusiva que reuniu um grupo restrito de líderes empresariais e decisores institucionais para um diálogo de alto nível sobre o papel do Board na governança do futuro digital.
Promovido pela LinkT Business Solutions, o encontro distinguiu-se pela profundidade intelectual, pela maturidade das reflexões e pelo tom francamente estratégico das intervenções, num ambiente que privilegiou a troca de experiências entre pares, longe de discursos genéricos ou excessivamente técnicos.
Governança antes da tecnologia
A mensagem central foi clara e transversal a todas as intervenções: a transformação digital só é sustentável quando é bem governada. Mais do que falar de plataformas, sistemas ou ferramentas, o debate centrou-se em governança corporativa, decisão, risco, accountability e liderança — dimensões que hoje determinam o sucesso ou o fracasso de qualquer agenda digital.
Como destacou Bruno Horta Soares, keynote speaker do encontro, governar o futuro digital exige Conselhos de Administração mais envolvidos, informados e conscientes da sua responsabilidade. A inovação tecnológica, sublinhou, deve caminhar lado a lado com ética, responsabilidade e uma clara definição de papéis, sob pena de comprometer a confiança e a reputação das instituições.

Liderança executiva e risco estratégico
A perspectiva executiva foi trazida de forma particularmente concreta por Carlos Firme, CEO da Fortaleza Seguros, que destacou como, num sector em que o risco é o core do negócio, a governança digital se tornou indissociável da solidez, da transparência e da sustentabilidade das organizações. Para o gestor, inovação sem disciplina e sem controlo ao mais alto nível rapidamente se transforma num risco estratégico.
Na mesma linha, Paulo Leite, assessor do Conselho de Administração do Banco BCS para as áreas de Transformação Digital, Eficiência Operacional e Banca Electrónica, reforçou que sem ownership claro ao nível do Board, a transformação digital fragmenta-se, perde coerência e impacto. O ciber-risco, as falhas tecnológicas e as decisões automatizadas, salientou, têm hoje impacto directo na reputação, na liquidez e na confiança — sendo, por isso, riscos claramente estratégicos.
A inteligência artificial foi igualmente abordada como um tema incontornável, não pela inevitabilidade da sua adopção, mas pela necessidade de decidir onde e como cria valor, sem comprometer controlo, compliance e responsabilidade institucional.
A visão dos líderes e decisores
Entre os convidados, Inocêncio das Neves, PCA do Grupo Financeiro BNS, sublinhou a excelência do encontro e a relevância das reflexões sobre liderança, ética e transparência, destacando que a governança do futuro será inevitavelmente digital, mas continuará a ser, acima de tudo, humana e estratégica.

Também Bruno Magalhães, Chief Marketing Officer da Pumangol, destacou que liderar num mundo em rápida transformação — ou mesmo em ruptura — exige maior lucidez, capacidade de adaptação e decisões cada vez mais bem fundamentadas.
Do ponto de vista da gestão de risco, Gerson Martins, Director de Risco do Banco Yetu, reforçou que sem envolvimento efectivo do Board, a transformação digital perde coerência e o impacto necessário, salientando ainda que o risco tecnológico e operacional deve ser encarado como um risco estratégico, com impacto directo na confiança e na reputação das instituições.
Um espaço de reflexão estratégica entre pares
Na qualidade de anfitrião do evento e moderador do painel, Gessildo Bengui destacou que o objectivo do Executive Leadership Roundtable não foi chegar a respostas fechadas, mas elevar o nível da conversa. “O futuro digital das nossas instituições não será definido apenas pelas soluções tecnológicas que adoptamos, mas sobretudo pela qualidade das decisões que somos capazes de tomar ao mais alto nível”, sublinhou.
O consenso entre participantes foi inequívoco: sem uma governança activa, informada e alinhada com os desafios actuais, a transformação digital perde direcção, coerência e valor. Iniciativas como esta contribuem para preparar líderes e organizações para governar com visão, solidez e impacto um futuro cada vez mais digital.
A primeira edição do Executive Leadership Roundtable – Governing the Digital Future afirmou-se, assim, como um espaço de referência para reflexão estratégica entre pares, deixando clara a ambição de continuidade. A próxima edição já está em preparação e promete aprofundar ainda mais o debate, com maior foco na decisão e na gestão do risco digital — porque governar o futuro começa, inevitavelmente, pelas decisões que se tomam hoje.




