A presidente da Organização Pan-Africana das Mulheres, Eunice Lipinge, afirmou este Sábado, 21, em Luanda, que as mulheres africanas continuam a crescer, liderando governos, parlamentos, ministérios e o sistema judicial.
“Alguns países africanos demonstraram o poder de reformas deliberadas, mostrando ao mundo que a igualdade de género não é apenas possível, mas transformadora. Quando as mulheres lideram, as nações prosperam”, sublinhou a responsável da Organização Pan-Africana das Mulheres, ao discursar na abertura da Women in Politics Conference 2026.
Eunice Lipinge salientou que as mulheres precisam eliminar as barreiras dentro da instituição política e do sistema partidário para criar espaço, pois essas normas patriarcais, exclusão económica, violência política, acesso anual ao financiamento de campanha são barreiras institucionalizadas e as instituições podem ser reduzidas.
“É por isso que estamos falando de construção de mulheres, eliminar essas barreiras estruturais, criar espaço para as mulheres para serem vistas, elas estão contribuindo”, disse.
No entanto, referiu que o treinamento das mulheres jovens não deve ser exótico, precisa institucionalizar os interesses políticos, a expertise em negociações, competência em estratégias eleitorais e a reserva contra violência política baseada no género.
África, reafirmou Eunice, está na intersecção de crescimento demográfico, diversificação económica, transformação digital e recuperação geopolítica. “A arquitectura futurista da África está sendo projectada agora em parlamentos, gabinetes e instituições indígenas, no entanto, a política pode nos impactar.
“Se estamos sérios sobre a consolidação democrática, devemos proteger as mulheres da violência política e garantir acesso igual à comunicação política”, considerou.
Acrescentou que “devemos ir além dessa acomodação incremental em direcção à estrutura da igualdade. Desigualdade não é poder, apoiamento não é poder. Estamos a falar de desigualdade, mas estamos falando de desigualdade com poder, não apenas em direcção à estrutura da igualdade”.
Segundo Lipinge, isso requer liderança corajosa, vontade de reformar constituições partidárias e eleitorais, fortalecer portas quando necessário, alocar financiamento público equitativo e criminalizar violências políticas baseadas no género, ressaltando que se precisa de solidariedade entre mulheres, através da ideologia, geração, língua e região.
Os africanos que são pacíficos, prósperos, inclusivos e de influência global, enfatizou, não podem ser construídos em uma cultura de participação. “Isso requer o completo desempenho do nosso continente. Mulheres não são consequências minoritárias, elas são a maioria”, lembrou.





