Quatro cineastas e produtores lusófonos de Angola, Moçambique e Cabo Verde foram seleccionados para integrar o programa Open Doors do próximo Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, uma das mais relevantes plataformas mundiais de desenvolvimento de projectos, formação profissional e coprodução cinematográfica.
A iniciativa decorrerá entre 5 e 10 de Agosto, no âmbito do Locarno Pro, e faz parte da estratégia do festival para promover talentos emergentes oriundos de regiões historicamente sub-representadas na indústria audiovisual global, com particular enfoque no continente africano.
Segundo a organização, o Open Doors procura criar oportunidades para cineastas e produtores que enfrentam limitações estruturais no acesso ao financiamento, à distribuição internacional e às redes globais de produção. O programa funciona como uma plataforma de capacitação, intercâmbio e aproximação a potenciais parceiros internacionais.
Entre os seleccionados figuram o angolano Pocas Pascal e o moçambicano Ariel Añez, escolhidos para a secção de desenvolvimento de talentos. O programa inclui workshops especializados, sessões de mentoria, encontros de networking e actividades colaborativas destinadas a fortalecer competências criativas e empresariais dos participantes.
Moçambique estará igualmente representado pelo realizador Ique Langa, que levará ao festival o projecto “Chapa 100”, descrito como uma história de amor urbana e surrealista. A produção resulta de uma parceria entre Moçambique e África do Sul, através da produtora Lara Sousa, da Kulunga Filmes, reforçando a crescente aposta em modelos de coprodução regional para viabilizar projectos independentes.
De Cabo Verde, a produtora Natasha Craveiro foi seleccionada para o programa Open Doors Producers, uma plataforma orientada para produtores que procuram desenvolver competências de gestão, financiamento e internacionalização. Representando a Korikaxoru Films, Craveiro participará num percurso intensivo focado na estruturação de projectos e na criação de parcerias estratégicas.
A selecção dos profissionais lusófonos surge no contexto do ciclo “Open Doors África” (2025-2028), iniciativa através da qual o Festival de Locarno pretende aumentar a visibilidade internacional das produções independentes africanas e estimular a integração dos seus criadores nos principais mercados audiovisuais globais.





