Quatro em cada seis propostas de crédito que entram no VTB são ‘chumbadas’

Quatro em cada seis propostas de financiamento remetidas pelos empresários, no primeiro semestre deste ano, ao Banco VTB África não foram aprovados, alegadamente por não reunirem os requisitos para captação de fundos naquela instituição, revelou à FORBES o seu director de Venda e Desenvolvimento Multi-produto, Ricardo Seixas. Os dados foram avançados à margem do fórum…
ebenhack/AP
O banco que tradicionalmente trabalha com a indústria mineira, ramo que leva mais de metade do crédito que concede, justifica a sua actuação com a pouca qualidade das propostas que recebe.
Economia

Quatro em cada seis propostas de financiamento remetidas pelos empresários, no primeiro semestre deste ano, ao Banco VTB África não foram aprovados, alegadamente por não reunirem os requisitos para captação de fundos naquela instituição, revelou à FORBES o seu director de Venda e Desenvolvimento Multi-produto, Ricardo Seixas.

Os dados foram avançados à margem do fórum “Banca e Mineração”, que juntou de um lado os industriais do sector mineiro e do outro a elite do sector financeiro angolano, organizado esta semana em Luanda, pela Bumbar Mining.

Na base da recusa das propostas de financiamento, diz, estão as insuficiências registadas na grande maioria dos projectos de investimentos que vão parar à mesa da instituição bancária, com destaque, entre outros, para a falta de estudos de viabilidade, estruturação adequada, ausência de garantia, além de informação devidamente preparada dentro dos critérios exigidos.

“Nos últimos dois meses, e até inclusive depois da parceria que fizemos com o Fundo de Garantia de Crédito, em seis propostas que [os empresários] nos apresentaram, quatro não podemos dar continuidade. Não podemos dar continuidade porque não reuniam os requisitos para que efectivamente pudéssemos dar seguimento à proposta. Não quer dizer que isso seja uma realidade noutros bancos”, revelou o gestor, socorrendo-se de uma estatística interna do banco.

Para Ricardo Seixas, o aumento de financiamento, de um modo geral, dependerá da melhoria dos projectos que são apresentados pelas empresas. “Tudo está na preparação do projecto. Aliás, quase todos os prelectores falaram desse ponto. Tem muito que ver com a forma em como os projectos são delineados, planificados, principalmente a forma como os projectos são apresentados às instituições”, indica.

Este posicionamento de recuo de projectos não bem estruturado e que são encaminhados à banca não é exclusivo do VTB África. Vários bancos já têm defendido um crédito responsável, que proteja os recursos dos depositantes.

Outra preocupação da banca tem sido o malparado, que em Maio se situou nos 18,7%. Ou seja, como forma de travar a subida do crédito em situação irregular, os bancos têm optado, através das suas políticas internas, pela selecção rigorosa das propostas de crédito. Não é diferente no VTB-África, que, na voz do seu director de Vendas, defende a estruturação rigorosa dos projectos por parte das empresas que pretendam ser financiadas através do circuito bancário.

Apesar disto, o gestor avança que a instituição, à semelhança das congéneres da praça, está aberta a solicitações de empréstimos. “Nós estamos abertos a qualquer operação de financiamento, mas, como disse, têm de estar devidamente estruturado, enquadrada, cumprir com todos os critérios que são necessários, porque, muitas empresas hoje tentam aceder a crédito ao abrigo do Aviso nº10/20, por exemplo, e para tal, nesses âmbitos, há critérios específicos que têm de ser cumpridos”, refere, acrescentando que boa parte das empresas “não está ainda preparada ou pelo menos não nos apresentam informação devidamente preparada dentro desses critérios”. Todos esses critérios são considerados por Ricardo Seixas como handicap.

Mais Artigos