Cinco países africanos, incluindo Moçambique, arriscam-se a ficar sem financiamento da República da China para a construção de várias centrais eléctricas a base de carvão, pelo facto daquele país asiático ter anunciado recentemente que vai por “um ponto final no apoio a projectos de carvão no estrangeiro”, de acordo com um relatório desenvolvido em conjunto por três organizações de defesa do ambiente e energia.
Denominado No New Coal Handbook, o relatório foi divulgado esta Quarta-feira, 13, em Londres, e justifica a posição pelo facto de as centrais eléctricas movidas a carvão serem consideradas altamente poluentes e que já só restam poucos países que apostam nesse tipo de iniciativas.
Assim, os cinco países africanos, nomeadamente o Botswana, Malawi, Moçambique, África do Sul e Zimbabwe, podem ver adiada a pretensão de fundarem novas centrais, risco que correm outros Estados de um grupo de 21 que têm em fase de planeamento mais do que uma nova central eléctrica a carvão.
De acordo com o documento, todos os projectos dos cinco países africanos “procuram financiamento por parte da China”, o que quer dizer que poderão enfrentar “um futuro incerto”.
Com o anúncio da China de que deixará de construir projectos de energia a carvão no estrangeiro, que surge na sequência de compromissos semelhantes assumidos, no início deste ano, pelo Japão e pela Coreia do Sul, o No New Coal Handbook prevê que “o cancelamento da cadeia de actividades globais relacionadas com projectos de carvão em pré-construção irá, sem dúvida, acelerar”.
No total, segundo o relatório, havia 24 países que pretendiam receber apoio da China para novas centrais de carvão e este anúncio abre a porta ao cancelamento destes projectos, dando prioridade às energias limpas. O documento, refere ainda que as nações africanas até “estão bem posicionadas para se comprometerem com o plano “No New Coal“, ou seja, com um mundo sem centrais a carvão.
“Existem apenas quatro centrais eléctricas a carvão em construção no continente, nomeadamente na África do Sul e no Zimbabué, e apenas três centrais se tornaram operacionais desde 2015”, refere o estudo.
O “No New Coal Handbook”, publicado pelos grupos de reflexão Ember, E3G e Global Energy Monitor, revela o estado de todos os países do mundo produtores de carvão que ainda não confirmaram que não construirão mais centrais eléctricas alimentadas por aquela fonte energética.





