Reviravolta no Banco de Moçambique: Felisberto Navalha sobe a governador após recuo presidencial

Menos de 24 horas depois de anunciar Waldemar de Sousa como governador do Banco de Moçambique, o Presidente da República, Daniel Chapo, revogou a nomeação e designou para o cargo Felisberto Dinis Navalha, que tinha sido inicialmente indicado para vice-governador. A decisão levou ao cancelamento da cerimónia de tomada de posse prevista para esta Terça-feira.…
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Menos de 24 horas bastaram para alterar a liderança do Banco de Moçambique. A Presidência da República revogou a nomeação de Waldemar de Sousa para governador e promoveu Felisberto Navalha, inicialmente escolhido para vice-governador, para o comando do banco central.
Líderes

Menos de 24 horas depois de anunciar Waldemar de Sousa como governador do Banco de Moçambique, o Presidente da República, Daniel Chapo, revogou a nomeação e designou para o cargo Felisberto Dinis Navalha, que tinha sido inicialmente indicado para vice-governador. A decisão levou ao cancelamento da cerimónia de tomada de posse prevista para esta Terça-feira.

A Presidência da República justificou a mudança com “questões supervenientes”, sem, contudo, detalhar a natureza das circunstâncias que levaram ao recuo presidencial. A alteração ocorreu depois de, na Segunda-feira, 31 de Agosto, terem sido anunciadas as nomeações de Waldemar de Sousa para governador e de Felisberto Navalha para vice-governador.

Num novo despacho, o Chefe de Estado moçambicano formalizou a revogação dos instrumentos anteriores e redesenhou a composição da liderança do banco central. Felisberto Navalha passa a assumir o cargo de governador, enquanto Benedita Guimino foi designada para a vice-governadora.

A rapidez da decisão torna a mudança particularmente relevante do ponto de vista institucional, uma vez que a revogação ocorreu antes de o governador inicialmente designado chegar a tomar posse.

A Presidência não avançou, até ao momento, com outros esclarecimentos sobre as razões que estiveram na origem da alteração.

Economista e docente da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Felisberto Navalha possui 26 anos de experiência no Banco de Moçambique, percurso que lhe confere conhecimento directo sobre o funcionamento e os desafios da instituição que passa agora a liderar.

A sua tomada de posse está prevista para esta Quarta-feira. Já a investidura de Benedita Guimino, escolhida para vice-governadora, será realizada em data ainda por anunciar.

A nova vice-governadora transita da administração do próprio Banco de Moçambique, onde exerce funções desde 2019. Durante esse período, dirigiu, cumulativamente, os pelouros de serviços administrativos e património, serviços financeiros e recursos humanos, além da área de estabilidade financeira.

Benedita Guimino ocupou igualmente a direcção dos departamentos de emissão e tesouraria e de sistemas de pagamentos, acumulando experiência em áreas directamente relacionadas com o funcionamento do sistema financeiro e com a actividade do banco central.

A nova equipa assume a condução do Banco de Moçambique num contexto em que a instituição desempenha funções centrais na estabilidade macroeconómica e financeira do país. Entre as suas atribuições estão a definição e execução da política monetária, a gestão e controlo cambial e a supervisão das instituições financeiras.

Enquanto governador, Felisberto Navalha presidirá ao Conselho de Administração do Banco de Moçambique e representará a instituição perante o Governo e organismos nacionais, estrangeiros e internacionais, de acordo com a Presidência da República.

A mudança na liderança deixa, para já, uma questão em aberto: o que esteve na origem das “questões supervenientes” que levaram à revogação de uma nomeação anunciada menos de um dia antes. Sem uma explicação oficial adicional, qualquer interpretação sobre as causas da decisão seria prematura.

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