Rui Barros é o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau

O Presidente da Guiné-Bissau nomeou nesta Quarta-feira, em decreto, Rui Duarte de Barros como novo primeiro-ministro do país. Antes, num outro decreto, Umaro Sissoco Embaló exonerou, a seu pedido, Geraldo João Martins das mesmas funções, para as quais havia sido reconduzido no passado dia 12 deste mês. Economista e político, membro do PAIGC – Partido…
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Economista substitui no cargo, Geraldo Martins, que terá solicitado demissão, oito dias depois de ter merecido a confiança do Presidente da República, que o tinha reconduzido como chefe do Governo.
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O Presidente da Guiné-Bissau nomeou nesta Quarta-feira, em decreto, Rui Duarte de Barros como novo primeiro-ministro do país. Antes, num outro decreto, Umaro Sissoco Embaló exonerou, a seu pedido, Geraldo João Martins das mesmas funções, para as quais havia sido reconduzido no passado dia 12 deste mês.

Economista e político, membro do PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Rui de Barros, que até a sua nomeação cumpria o mandato de deputado da Nação, já foi primeiro-ministro do Governo de transição, de 16 de Maio de 2012 a 04 de Julho de 2014, estando antes da sua nomeação, na altura, a trabalhar na União Económica e Monetária da África Ocidental.

Após as eleições gerais de 2014, deixou a liderança do Governo, tendo sido substituído no cargo por Domingos Simões Pereira. No aparelho do Estado, o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau foi também já ministro da Economia e Finanças, em 2002.

Entretanto, a FORBES ÁFRICA LUSÓFONA sabe que a intenção de Geraldo Martins em abandonar a liderança do Governo de iniciativa presidencial a que lhe tinha sido confiada pelo chefe de Estado, depois dos acontecimentos dos dias 30 de Novembro e 01 de Dezembros, foi manifestada após tomar contacto com uma carta do Procurador-geral da República endereçada, a 13 de Dezembro, ao Presidente guineense a solicitar autorização para que o até então primeiro-ministro prestasse esclarecimentos, junto daquele organismo.

Em causa estão, alude a referida carta a que a FORBES teve acesso, “indícios de [Geraldo Martins] ter ciência dos factos ocorridos relacionados com a operação de desembolso de 6 biliões de franco cfa para pagamentos das dívidas internas, conforme resulta das declarações do ex-ministro da Economia e Finanças”.

O antigo responsável da Economia e Finanças, Suleimane Seidi, e o ex- secretário de Estado do Tesouro, António Monteiro, estão a ser investigados no âmbito de um pagamento de 6 mil milhões de francos CFA (pouco mais de 9 milhões de dólares) a onze empresários, através de um crédito a um banco comercial de Bissau, concretamente o Banco da Africa Ocidental (BAO).

No dia 30 de Novembro, depois de oito horas de audição, o Ministério Público da Guiné-Bissau ordenou a prisão preventiva de ambos, que foram de seguida conduzidos às celas da Polícia Judiciária de Bandim, mas, horas depois, acabaram por ser soltos, pelo Chefe da Guarda Nacional, Vitor Tchongo, sem saber ainda de quem este recebeu a ordem para este acto.

Entretanto, na manhã do dia 01 de Dezembro, Suleimane Seidi e António Monteiro foram reconduzidos à prisão pelos militares das FARP depois de violentos tiroteios em Bissau, concretamente junto ao quartel da Guarda Nacional, no bairro de Luanda, fruto de confrontos entre soldados daquela corporação e elementos do Batalhão da Presidência da República, com o intuito de neutralizar os elementos da Guarda Nacional, que por fim acabaram por ser detidos.

A Polícia Militar foi enviada ao local dos combates e na manhã do dia 01 de Dezembro, deteve o comandante da Guarda Nacional, coronel Vítor Tchongo, e “mais alguns elementos” daquela corporação.

Na sequência destes acontecimentos, o Presidente guineense, Sissoco Embaló, dissolveu o Parlamento no dia 04 de Dezembro, por considerar ter havido tentativa de golpe de Estado, alegadamente com cumplicidade de políticos, nomeadamente alguns da ‘casa das leis’, com realce para o seu líder, Domingos Simões Pereira, instalando-se a partir dali uma nova crise política e institucional.

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