Um simpósio internacional marcará um dos pontos altos das comemorações do centenário de Amílcar Cabral, reunindo Cabo Verde e Guiné-Bissau. O evento ocorrerá em dois locais: na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) nos dias 08 e 09 de setembro e no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), em Bissau, nos dias 11 e 12 de Setembro. As celebrações, que têm vindo a decorrer desde Janeiro, culminarão no dia 12 de Setembro, data de nascimento de Cabral.
Pedro Pires, presidente da Fundação Amílcar Cabral, destacou à Lusa a relevância deste evento nas celebrações do centenário. “Cabral liderou a luta pela independência dos dois países e tinha a união dos dois Estados em mente, embora estes tenham seguido caminhos políticos distintos”, afirmou Pires, que foi comandante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) durante a guerra colonial e ex-Presidente de Cabo Verde.
Pires acredita que o simpósio vai desafiar perceções estabelecidas. “Depois do simpósio de setembro, muitas perceções vão mudar. Acho que muita gente vai ficar surpreendida com essa organização conjunta”, afirmou. Referiu ainda que a colaboração com a Guiné-Bissau foi um desafio, mas que as organizações guineenses estão agora a participar ativamente nas celebrações.
A Fundação Amílcar Cabral conseguiu assim, no ano do centenário, criar uma ponte entre os dois países. “Quando se pensava que a Guiné-Bissau não se interessaria ou que estava em situação difícil de participar nessas celebrações, temos hoje organizações guineenses que participam”, acrescentou Pedro Pires.
O simpósio de setembro tem como objetivo “contextualizar a vida de Amílcar Cabral e as suas realizações dentro do panorama mais amplo da história africana e mundial”, segundo a Uni-CV. As comunicações serão estruturadas em torno de 13 eixos temáticos, incluindo o desenvolvimento socioeconómico de África, as questões agrárias e as pontes para o novo diálogo Norte-Sul e Sul-Sul.
Amílcar Cabral, nascido a 12 de Setembro de 1924 em Bafatá, Guiné-Bissau, foi uma figura central na luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau. Assassinado a 20 de janeiro de 1973 em Conacri, Guiné, o seu legado continua a ser celebrado mundialmente.
As comemorações do centenário começaram em 2022 e ganharam intensidade a partir de janeiro deste ano. Entre os eventos realizados, destacam-se a estreia da peça de teatro “A Última Lua do Homem Grande” em Cabo Verde, com as companhias Sikinada Cabo Verde e Art’imagem de Portugal, assim como diversos concertos, marchas e debates que exploraram a multidisciplinaridade de Cabral, abrangendo áreas como política, agronomia e desporto.





