O Governo de São Tomé e Príncipe admitiu a ruptura de gasolina e petróleo doméstico por falta de recursos financeiros para novas importações, numa altura em que a subida dos preços internacionais agrava a pressão sobre as contas públicas.
A escassez, que, segundo a população, começou na Quinta-feira, 1 de Outubro, deverá ser parcialmente ultrapassada com uma nova importação. O ministro da Economia e Finanças, Gareth Guadalupe, afirmou que o Estado já dispõe do montante necessário e prevê a chegada de gasolina ao país dentro de uma semana.
A informação foi avançada esta Terça-feira, 6, em conferência de imprensa, segundo a Lusa, que cita o governante. Guadalupe explicou que o Governo procura antecipar as importações, mas nem sempre consegue reunir atempadamente os recursos necessários para garantir o fornecimento.
O Executivo tem mantido os preços dos combustíveis subsidiados desde o início do conflito no mercado internacional, absorvendo a subida dos custos para evitar um impacto imediato sobre os consumidores. O ministro admite, porém, que esta política poderá deixar de ser financeiramente sustentável.
“Em algum momento, vamos ter que repassar parte deste aumento de custos à população”, afirmou Guadalupe, condicionando essa decisão à evolução dos preços nos mercados internacionais.
A pressão sobre as finanças públicas não se limita aos combustíveis. O governante reconheceu igualmente dificuldades no pagamento de salários e outros compromissos do Estado, num mês marcado pela conjugação de despesas adicionais.
Entre os encargos apontados estão os subsídios de férias, eventuais aumentos salariais na administração pública e o financiamento das eleições legislativas, autárquicas e regionais.
O Governo deposita parte das expectativas na instalação de uma central fotovoltaica, prevista para estar concluída até ao final do ano, com capacidade de produção de cerca de 11 megawatts. A infra-estrutura deverá reduzir a dependência de combustíveis importados para a produção de electricidade e, consequentemente, aliviar os custos.
A pressão financeira ocorre num contexto em que São Tomé e Príncipe realizou eleições em 27 de Setembro e o Tribunal Constitucional confirmou esta semana a vitória do MLSTP, da oposição, que elegeu 24 dos 55 deputados.





