Taxas de juro pode empurrar países mais pobres para a falência – Banco Mundial

A permanência das taxas de juro "mais altas durante mais tempo" pode empurrar os países mais pobres para a bancarrota, à semelhança do que aconteceu nos anos 70, considerou esta semana o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill. "Apesar de todos os choques, não vimos nenhuma grande economia entrar realmente em problemas, mas as boas…
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A permanência das taxas de juro mais altas durante mais tempo pode ser um evento complicado de várias formas, desde os investimentos às pessoas, adverte o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
Economia

A permanência das taxas de juro “mais altas durante mais tempo” pode empurrar os países mais pobres para a bancarrota, à semelhança do que aconteceu nos anos 70, considerou esta semana o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

“Apesar de todos os choques, não vimos nenhuma grande economia entrar realmente em problemas, mas as boas notícias basicamente acabam aqui, porque o problema agora é que, por causa das elevadas taxas de juro, o crescimento está a abrandar muito”, deu a conhecer Indermit Gill, na conferência de imprensa, que marcou a abertura oficial dos encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (bm), que decorrem em Marraquexe, Marrocos, com término marcado para este Domingo, 15.

“Nos anos 70, quando a Reserva Federal subiu as taxas de juro durante bastante tempo, uma das lições que aprendemos é que o ciclo de ajustamento não durou só uns dois anos, deixou cerca de 24 economias na bancarrota, e acho que podemos antever que alguns países vão ter problemas agora”, disse o economista-chefe do Banco Mundial.

A perspectiva de taxas de juro mais elevadas durante mais tempo foi uma das preocupações centrais do Banco Mundial durante a conferência de imprensa, mostrando a importância do impacto que os juros elevados têm nos países menos desenvolvidos, que dependem de empréstimos e financiamentos externos, normalmente em dólares, para financiar o desenvolvimento económico e social.

“A permanência das taxas de juro mais altas durante mais tempo [‘higher for longer’, na expressão em inglês] pode ser um evento complicado de várias formas, desde os investimentos às pessoas que, ao longo dos anos, se habituaram a um ambiente de juros baixos”, advertiu por seu turno o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

segundo cita a Lusa, o FMI prevê que o crescimento global desacelere de 3,5% em 2022 para 3% em 2023 e 2,9% em 2024, abaixo da média histórica (2000-19) de 3,8%, com a previsão para 2024 a cair 0,1 ponto percentual (pp.) face ao relatório de Julho.

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