Devido ao atraso na notificação para que o empresário Carlos São Vicente se apresentasse ao Tribunal Provincial de Luanda “Dona Ana Joaquina”, a sessão de julgamento que estava marcada para Quarta-feira foi protelada para 11 de Fevereiro.
O anúncio do adiamento da sessão foi tornado público quando o arguido e familiares já tinham chegado àquele órgão de justiça, onde, expectantes, aguardavam pela primeira sessão de um dos casos mais badalados e mediáticos do metié judicial angolano.
Carlos São Vicente chegou ao tribunal de Luanda, onde devia começar a ser julgado, às 10 horas de ontem, mais de uma hora depois do previsto para o início da sessão. O empresário apareceu ao público visivelmente mais magro, tendo saudado, de seguida, a mulher, Irene Neto, que se encontrava já na sala, com a presença de inúmeros jornalistas que acompanham o caso, conforme uma descrição da Lusa.
Também acorreram ao palácio “Dona Ana Joaquina”, além da mulher, que é filha de António Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, outros familiares de Carlos São Vicente, que assistiriam ao acto de julgamento.
Assim, e devido também ao pedido de análise dos requerimentos apresentados, São Vicente regressa à Cadeia de Viana, onde foi feito ‘recluso’ há mais de um ano.
Pesam sobre as ‘costas’ do conhecido empresário luso-angolano várias acusações. Da lista de queixas, sobressaem os crimes de fraude fiscal, envolvendo valores superiores a mil milhões de dólares, peculato e branqueamento de capitais.
O advogado do empresário, Fronçois Zimeray, voltou a tecer críticas sobre a forma de detenção do seu constituinte, à margem da sala da 3.ª secção criminal do tribunal Dona Ana Joaquina. “Existe um princípio de presunção de inocência que deve ser respeitado” disse aos jornalistas François Zimeray, para quem a liberdade é a regra e a prisão deve ser uma excepção.
O causídico considerou ainda que a dignidade “deve ser respeitada”, além de ter lamentado que Carlos São Vicente esteja a servir de bode expiatório para as dificuldades do país.





