A Unitel, S.A. submeteu uma nova proposta para a eleição dos órgãos sociais do Banco de Fomento Angola (BFA) para o quadriénio 2026-2029, substituindo integralmente a anterior, apresentada em Fevereiro.
A proposta, já admitida no âmbito da Assembleia Geral Anual agendada para 30 de Março, reflecte ajustamentos decorrentes de processos de avaliação conduzidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA), cujas conclusões abriram espaço a uma recomposição mais abrangente da estrutura de governação do banco.
No essencial, a nova lista propõe a renovação simultânea da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e da Comissão de Remunerações, sinalizando uma abordagem integrada à governação corporativa. Segundo a accionista, todos os nomes indicados que dependem de avaliação de adequação já obtiveram o aval do regulador, eliminando um dos principais riscos de execução associados a este tipo de processos.
A liderança do Conselho de Administração deverá ser assumida por Maria do Carmo Bastos Corte-Real Bernardo, enquanto Valter Rui Dias de Barros surge como vice-presidente independente. A composição inclui ainda um conjunto alargado de administradores não executivos e independentes, bem como uma equipa executiva liderada por Luís Roberto Fernandes Gonçalves, na qualidade de presidente da Comissão Executiva. Esta configuração sugere uma tentativa de reforçar os mecanismos de supervisão interna e de equilíbrio entre funções executivas e não executivas, um aspecto cada vez mais valorizado pelos reguladores e investidores institucionais.
Do ponto de vista estratégico, a decisão de substituir integralmente a proposta anterior — em vez de a ajustar pontualmente — revela não apenas a complexidade dos processos de aprovação regulatória em Angola, mas também a necessidade de alinhamento fino entre accionistas e supervisor. Ao fazê-lo, a Unitel, S.A. procura apresentar uma solução consolidada, reduzindo incertezas antes da deliberação em Assembleia Geral.
A proposta surge num contexto em que a governação das instituições financeiras angolanas permanece sob escrutínio reforçado, com o Banco Nacional de Angola a desempenhar um papel central na validação da idoneidade e competência dos titulares de cargos-chave. Neste quadro, a antecipação da aprovação regulatória pode ser interpretada como um sinal de estabilidade e de previsibilidade institucional para o Banco de Fomento Angola (BFA).
Além do Conselho de Administração, a proposta define Ismael Abraão Gaspar Martins como presidente da Mesa da Assembleia Geral, e Gilberto Rodrigues Caliatu como presidente do Conselho Fiscal. Já a Comissão de Remunerações deverá ser liderada por Laura Maria Pires Alcântara Monteiro, num desenho que reforça a arquitectura de controlo e definição de incentivos dentro da instituição.
Em termos de leitura de mercado, esta reorganização poderá ser vista como um movimento de consolidação da governação do BFA num momento em que a banca angolana enfrenta desafios estruturais, desde a necessidade de robustecer práticas de compliance até à crescente exigência de transparência.
A aprovação desta proposta poderá, assim, funcionar como um indicador relevante do grau de alinhamento entre accionistas, gestão e regulador – um factor crítico para a confiança no sistema financeiro.





