O Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) concluiu uma linha de crédito sindicada no valor de 1,75 mil milhões de dólares a favor da Sonangol, num movimento estratégico que reforça não apenas a empresa petrolífera nacional, mas também a resiliência económica e financeira de Angola num contexto global marcado por uma pressão sobre economias dependentes de commodities.
O financiamento destina-se a cobrir necessidades operacionais e despesas de capital da Sonangol, assegurando a continuidade da produção, exportação e investimento no sector do petróleo e gás, ainda hoje o principal pilar das receitas externas e fiscais do país.
Segundo Haytham Elmaayergi, Vice-Presidente Executivo para a Banca Comercial Global do Afreximbank, “esta linha de crédito de 1,75 mil milhões de dólares sublinha o compromisso do Banco em apoiar líderes empresariais africanos do sector da energia e salvaguardar a capacidade de exportação, um factor crítico para a soberania macroeconómica e a resiliência comercial dos Estados-membros”.
Excelentes notícias para Angola. O impacto desta linha de crédito ultrapassa largamente o perímetro da Sonangol. Num país onde o petróleo representa mais de 90% das exportações e uma parte significativa das receitas do Estado, o reforço da capacidade operacional da empresa nacional tem efeitos sistémicos.
O financiamento contribui para a estabilidade das exportações, garante fluxos cambiais essenciais para o equilíbrio da balança de pagamentos, a estabilidade do kwanza e o cumprimento de obrigações externas.
Mas este conforto não pode fazer esquecer aquilo que já se tornou uma ladainha. A diversificação económica. O principal risco reside no aprofundamento da dependência estrutural de Angola em relação ao sector petrolífero. Embora o financiamento garanta estabilidade operacional à Sonangol, pode atrasar ou reduzir o sentido de urgência na execução de uma diversificação económica efectiva. Ao canalizar volumes significativos de capital para o petróleo e gás, o país continua exposto à volatilidade dos preços internacionais e à transição energética global, que tende a penalizar economias excessivamente ancoradas em combustíveis fósseis.
Precisamos disto. De quem invista em nós, na nossa liderança e no nosso petróleo. Sem dúvida. Mas também precisamos deste nível de investimento na agricultura, no turismo e na formação dos nossos quadros. É só um kind reminder.





