A Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva), Valentina Matias de Sousa Filipe, foi distinguida com o prémio “Forbes Carreira” 2025, no encerramento da 2.ª edição do Forbes Annual Summit Angola 2025. A homenagem reconhece décadas de dedicação, excelência profissional e um contributo determinante para o desenvolvimento do mercado regulamentado de valores mobiliários e derivados no país.
A distinção foi materializada num quadro exclusivo, concebido com a técnica String Art pelo artesão Wilson Diogo Correia, da empresa Cadjengue / Pregos e Linhas. A obra, elaborada com 246 pregos e executada em quatro horas, resulta de uma composição minuciosa que, a partir de uma fotografia de referência, recria o rosto da homenageada através da união exacta de cada ponto.
“Foi um sentimento de alegria, porque acredito que as pessoas devem ser homenageadas enquanto estão vivas. O momento para mostrarmos gratidão pelos feitos dos outros é agora. Foi igualmente uma honra testemunhar a emoção deste instante”, afirmou o artista.
Ao receber o prémio, Valentina Matias de Sousa Filipe agradeceu à Forbes África Lusófona pela distinção, dedicando-a à família, amigos, colegas da Bodiva e das instituições por onde passou, reconhecendo também o papel de todos no seu crescimento e realização profissional, bem como ao seu país, Angola.

Um percurso que acompanha a evolução institucional de Angola
A trajectória profissional de Valentina Matias de Sousa Filipe integra um dos capítulos mais relevantes da construção institucional e económica de Angola. Desde os anos 1980, tem estado associada à edificação de um sistema financeiro mais moderno, robusto e competitivo, num contexto em que o país procurava reforçar as bases de gestão pública e estabilização macroeconómica.
Licenciada em Economia pela Escola Superior de Economia “Bruno Leuchner”, de Berlim, em 1986, regressou a Angola num período marcado por desafios estruturais, exigindo quadros capazes de formular respostas técnicas e pensar políticas públicas com rigor e visão de longo prazo.
A sua carreira no sector das Finanças é vasta e progressiva. Após iniciar funções técnicas no Tesouro Nacional, foi Chefe do Departamento de Operações do Tesouro (1991-1998) e, posteriormente, Directora Nacional do Tesouro (1998-2002). Seguiu-se o Banco de Desenvolvimento de Angola (2006-2008), numa fase em que o país acelerava esforços de reconstrução económica.
O reconhecimento do seu desempenho levou-a ao topo da política fiscal angolana: foi vice-ministra das Finanças (2008-2010) e Secretária de Estado das Finanças (2010-2017). Neste período, coordenou o Projecto Executivo para a Reforma Tributária (PERT, 2010-2015), um marco que modernizou o sistema fiscal, reforçou a capacidade arrecadatória e contribuiu para maior previsibilidade macroeconómica.

Assumiu ainda a presidência da Comissão de Reestruturação e Gestão da Comissão de Mercado de Capitais (2011-2012), etapa decisiva para a entrada em funcionamento da CMC e, em 2014, da BODIVA — passos que transformaram a arquitectura dos mercados financeiros em Angola.
Entre 2017 e 2018, desempenhou funções na Assembleia Nacional, integrando a Comissão de Economia e Finanças, antes de assumir o cargo de Administradora Executiva do Fundo Soberano de Angola (2018-2022), onde teve participação activa na gestão de activos estratégicos e na preservação do valor intergeracional.

A 23 de Setembro de 2022, inicia um novo capítulo: a nomeação como Presidente do Conselho de Administração da BODIVA, instituição cuja génese regulatória igualmente ajudara a desenhar. Hoje, lidera aquele que é o mais estruturante ciclo de consolidação do mercado de capitais angolano, assegurando a execução do plano estratégico e fortalecendo a confiança dos investidores, ao mesmo tempo que abre novas vias de financiamento para empresas, infra-estruturas e projectos transformadores.
Com visão, rigor e sentido de missão, Valentina Filipe consolidou-se como uma das figuras mais influentes da governação económica angolana e uma referência de liderança feminina num sector historicamente dominado por homens. A sua marca ultrapassa a dimensão técnica e assume um lugar na história: ajudou a erguer os alicerces de um mercado de capitais moderno, destinado a servir gerações futuras.





