Opinião

António Mota e o nosso Obrigado

Nilza Rodrigues

Em Maio falei com este grande Senhor que hoje nos deixa e que se chama António Mota. Para lhe comunicar, no meio do meu entusiasmo, que foi considerado por nós, Forbes, a Personalidade Lusófona no Doung Business Angola pela sua coragem, visão e liderança. Bati de frente com uma mensagem tranquila, nada eufórica, de agradecimento e impedimento por estar no Porto num compromisso que não podia desmarcar, porque já tinha dado a sua palavra. Nem por um prémio. Cumpriu a sua palavra, mas deu-nos’, a nós, Forbes, o seu melhor, um dos seus quatro filhos, o Manuel, para receber o prémio em seu nome.

Há personalidades cuja partida nos convoca a uma pausa colectiva. Um silêncio que não é vazio, é respeito, memória e gratidão. António Mota, gigante discreto da engenharia e da liderança empresarial portuguesa, partiu, mas deixou um rasto luminoso que continuará a orientar gerações.

Recordo, com emoção, as palavras de Manuel Mota, no momento de receber o premio: “O meu avô dizia que se um dia fecharmos a porta, a última luz a desligar seria em Cabinda. Isto mostra bem o compromisso que o avô e o meu pai sempre tiveram com este país”. A frase atravessa o tempo e resume a essência de uma família e de um grupo empresarial que sempre viram Angola não como uma oportunidade, mas como um destino partilhado.

Durante quase três décadas à frente do grupo, Antonio Mota foi o timoneiro de uma das fases mais decisivas da empresa: a fusão com a Engil, a expansão africana, o reforço da actuação internacional e o crescimento para níveis inéditos — dos grandes contratos ferroviários no eixo Nigéria–Níger à operadora do Corredor do Lobito. Sempre com Angola no centro da visão estratégica.

Mas António Mota não foi apenas o líder empresarial. Foi o homem que soube que o legado se escreve também na sociedade civil. Em 2010, criou a Fundação Manuel António da Mota, perpetuando a memória do pai e a responsabilidade social como parte integrante do ADN da família.

Hoje, ao recordarmos a sua vida, lembramos também o que ele representou: a cultura do trabalho sério, a humildade que acompanha os grandes líderes, a capacidade de sonhar longe e construir perto, a convicção de que a lusofonia é um espaço de oportunidade, colaboração e futuro partilhado.

Hoje, despedimo-nos de António Mota. Fica o legado. E a homenagem que a Forbes África Lusófona e a Forbes Portugal lhe prestaram e que prestaremos sempre que falarmos de líderes que nos tocam.

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