Governo de transição na Guiné-Bissau nega fim de relações com o Banco Mundial

O primeiro-ministro de transição guineense, Ilídio Vieira Té, desmentiu esta Segunda-feira que haja corte de relações entre o Banco Mundial e o país e afirmou que existe "uma cooperação técnica e avaliação normal" com os parceiros financeiros internacionais. O governante falava aos jornalistas guineenses num balanço dos primeiros 100 dias do Governo de transição, instituído…
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Primeiro-ministro de transição guineense, Ilídio Vieira Té, falava aos jornalistas guineenses num balanço dos primeiros 100 dias do Governo de transição, instituído com o golpe de Estado militar de 26 de novembro passado.
Economia

O primeiro-ministro de transição guineense, Ilídio Vieira Té, desmentiu esta Segunda-feira que haja corte de relações entre o Banco Mundial e o país e afirmou que existe “uma cooperação técnica e avaliação normal” com os parceiros financeiros internacionais.

O governante falava aos jornalistas guineenses num balanço dos primeiros 100 dias do Governo de transição, instituído com o golpe de Estado militar de 26 de novembro passado. Entre várias considerações, Vieira Té afirmou que o Governo não consegue resolver, em 100 dias, os “problemas estruturantes de décadas” que a Guiné-Bissau tem, mas afirmou que o executivo já demonstrou “o caminho que quer seguir”.

Um dos caminhos, disse Té, é a melhoria das relações com os parceiros internacionais, nomeadamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Banco Mundial.

O Banco Mundial anunciou, em janeiro, que tinha suspendido todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e que estava a “monitorizar atentamente” a situação no país.

“O Grupo Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau”, disse uma fonte oficial em resposta a questões da Lusa, nas quais confirma que os desembolsos e os projetos foram suspensos neste país lusófono africano.

“Não existe o abandono da Guiné-Bissau por parte do Banco Mundial. Existe cooperação técnica e avaliação normal entre parceiros internacionais”, disse hoje o primeiro-ministro guineense.

Ilídio Vieira Té referiu-se também ao FMI para destacar a recente avaliação do desempenho macroeconómico do país feita pelo Fundo, em que a Guiné-Bissau alcançou recentemente um acordo técnico que vai permitir ao país receber um desembolso de 3,3 milhões de dólares.

O acordo, no âmbito do programa de ajustamento financeiro, está ainda sujeito à aprovação da direcção da instituição. Os militares alegaram como fundamento a iminência de uma guerra civil no país.

Na sequência do golpe de Estado, a Guiné-Bissau foi suspensa das várias organizações de que é membro, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana e CPLP, que reclamam o regresso à normalidade constitucional para levantar a medida.

A CPLP, diz a Lusa, cancelou uma missão de bons ofícios que tinha agendado para de 17 a 21 de Fevereiro, depois da troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, que assumiu temporariamente a presidência da organização, que era detida por Bissau.

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