Opinião

A importância estratégica dos serviços aduaneiros na segurança nacional e na dinamização da economia angolana

Jomba Manuel

O presente artigo tem como principal objectivo analisar a importância estratégica dos serviços aduaneiros na segurança nacional e no desenvolvimento económico de Angola, com base na legislação aduaneira vigente, em dados estatísticos oficiais, bem como em estudos de impacto económico.

Os serviços aduaneiros integram um dos pilares essenciais do Estado moderno, desempenhando funções que ultrapassam a simples arrecadação de receitas e assumindo um papel central na segurança nacional e na dinamização da economia. Em Angola, os serviços aduaneiros não só controlam o fluxo de mercadorias no território, mas também influenciam a competitividade económica, a protecção dos mercados e a integração no comércio internacional.

O quadro normativo vigente – nomeadamente o Código Aduaneiro Angolano, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 5/06, de 4 de Outubro, e a Pauta Aduaneira dos Direitos de Importação e Exportação, aprovada pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º 1/24, de 3 de Janeiro – têm sido objecto de actualizações, que visam alinhar o sistema aduaneiro nacional com os padrões internacionais, facilitando, desta forma, o comércio e fortalecendo do controlo fronteiriço.

Os serviços aduaneiros angolanos exercem funções estratégicas ao controlar a entrada e saída de mercadorias, prevenindo o contrabando e o tráfico de bens proibidos ou restritos, o que pode comprometer a segurança pública e económica (Código Aduaneiro Angolano, 2006). Este controlo estende-se à verificação documental e físico-material das mercadorias, combatendo a evasão fiscal e protegendo contra riscos para a saúde e o ambiente.

Além disso, o reforço de mecanismos electrónicos de despacho – como o sistema ASYCUDA World e em fase piloto o ASY5 desenvolvido pela (UNCTAD Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) – tem sido promovido para agilizar procedimentos aduaneiros e aumentar a transparência, reduzindo os custos de transacção e fortalecendo a cooperação entre entidades nacionais e internacionais (Forbes África Lusófona, 2026).

Tradicionalmente, os direitos aduaneiros representam uma fonte importante de receitas fiscais para o Estado angolano, na medida em que, no exercício transacto (2025), a Administração Geral Tributária (AGT) arrecadou aproximadamente 1 bilião de kwanzas em receitas aduaneiras, que representa um aumento de cerca de 17% em relação a 2024. Estes recursos são fundamentais para o financiamento do Orçamento Geral do Estado e para apoiar os sectores prioritários da economia.

Ademais, não obstante a importância nominal, os direitos aduaneiros como percentagem das receitas fiscais totais têm mostrado uma tendência de oscilação positiva relativa, tal como sucedeu em 2025, em que representavam cerca de 9% da receita total de impostos nacionais.

Atente ao facto de que os serviços aduaneiros não são meramente arrecadadores: são também instrumentos de política económica. A Pauta Aduaneira angolana contempla 5 953 linhas tarifárias, com aproximadamente 37% dos produtos isentos de direitos de importação, destacando insumos agrícolas, equipamentos industriais e bens tecnológicos, o que facilita o crescimento do sector produtivo e a substituição de importações (O País, 2024; Valoreconómico.co.ao, 2024).

Entrementes, a legislação aduaneira angolana prevê regimes especiais de isenção e redução tarifária para mercadorias ligadas a projectos de investimento, manufactura e infra-estruturas, fomentando a redução de custos de produção e a atracção de investimento privado. Esta estratégia é pensada para aumentar a competitividade das empresas nacionais e diversificar a base económica de Angola, reduzindo a dependência de sectores tradicionais como o petróleo.

Medidas recentes incluem a isenção de taxas para mais de 5 500 produtos, no âmbito da reforma aduaneira para simplificar o comércio externo, uma iniciativa que visa desburocratizar processos e integrar Angola de forma mais efectiva na economia regional e global (Revista OutsidePRO, 2025).

A harmonização das normas aduaneiras com padrões internacionais – como o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) e acordos multilaterais – reforça a credibilidade de Angola perante parceiros comerciais e organismos como a Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Este alinhamento facilita o comércio lícito, reduz barreiras técnicas e proporciona maior segurança jurídica aos operadores económicos, estimulando o fluxo de comércio externo e a atracção de investimento estrangeiro.

Entretanto, após reflexão axiomática dos tópicos supra, depreendemos que os serviços aduaneiros angolanos assumem um papel estratégico de dupla dimensão; representam um componente essencial da segurança nacional e funcionam como um pilar da política económica nacional. Outrossim, à luz de um quadro jurídico moderno, os serviços aduaneiros asseguram o controlo eficaz do território económico, combatem práticas ilícitas, promovem a protecção do mercado interno e, concomitantemente, apoiam a dinamização da economia por meio de instrumentos tarifários e benefícios fiscais.

Assim, para Angola, um reforço contínuo destes serviços, incluindo a modernização tecnológica, a harmonização normativa e a simplificação de procedimentos, é determinante para construir um ambiente económico mais competitivo, transparente e sustentável no longo prazo.

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