O peso do turismo na economia de Moçambique caiu em 2024 para 3,61% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais baixo dos últimos três anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique consultados pela FORBES ÁFRICA LUSÓFONA.
A descida ocorreu num contexto marcado por instabilidade política após as eleições gerais, que afectou particularmente a actividade do sector no último trimestre do ano.
Segundo a Conta Satélite do Turismo de 2024, o Valor Acrescentado Bruto Directo do Turismo (VABDT) atingiu cerca de 694 milhões de euros, recuando face aos 712,2 milhões de euros registados em 2023. No ano anterior, o sector representava 4,02% do PIB, depois de 4,00% em 2022 e 2,46% em 2021, período ainda fortemente condicionado pelos efeitos da pandemia.
De acordo com o relatório do INE, “a redução do peso relativo do VABDT no PIB entre 2024 e 2023 reflecte a dinâmica de redução nas actividades características do turismo durante este período, associadas à instabilidade política que afectou este sector, principalmente no quarto trimestre de 2024”.
Entretant, apesar da redução do contributo do sector para a economia, os dados oficiais indicam uma forte recuperação do fluxo de turistas internacionais.
O número de hóspedes estrangeiros em estabelecimentos hoteleiros no país triplicou em cinco anos, passando de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, segundo o anuário estatístico mais recente do INE.
Este crescimento coincide com alterações legislativas introduzidas nos últimos anos pelo Governo moçambicano, que isentaram de visto turistas provenientes de 29 países, numa estratégia destinada a reforçar a competitividade do destino e estimular a entrada de visitantes internacionais.
Os dados revelam, assim, um paradoxo no sector turístico moçambicano: enquanto o número de visitantes estrangeiros cresce de forma consistente, o contributo do turismo para o PIB permanece vulnerável a factores conjunturais, como a instabilidade política e a desaceleração de algumas actividades económicas ligadas ao sector.
Para uma economia que aposta no turismo como um dos pilares da sua diversificação, os números de 2024 evidenciam que a estabilidade institucional continua a ser um factor crítico para consolidar a recuperação do sector e captar investimento turístico de maior escala.





