Primeiro transplante renal realizado com sucesso em Cabo Verde

Cabo Verde acaba de alcançar um marco histórico no seu sistema de saúde com a realização, com sucesso, do primeiro transplante renal no país, numa cirurgia realizada na cidade da Praia que inaugura uma nova resposta clínica para doentes com insuficiência renal. O procedimento foi realizado a um homem de 44 anos, que recebeu um…
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Dador e paciente, irmãos, são compatíveis e recuperam bem após cirurgia realizada na Praia. Intervenção histórica marca uma nova etapa no tratamento da insuficiência renal no país.
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Cabo Verde acaba de alcançar um marco histórico no seu sistema de saúde com a realização, com sucesso, do primeiro transplante renal no país, numa cirurgia realizada na cidade da Praia que inaugura uma nova resposta clínica para doentes com insuficiência renal.

O procedimento foi realizado a um homem de 44 anos, que recebeu um rim doado pela irmã, num gesto considerado decisivo para o sucesso da operação, dada a elevada compatibilidade entre ambos. Segundo a equipa médica, a cirurgia decorreu dentro do previsto, tendo começado às 9 horas e terminado por volta das 13, e tanto o doente como a dadora estão a recuperar favoravelmente.

Este momento resulta de mais de uma década de trabalho, investimento e cooperação entre Cabo Verde e Portugal. O projeto foi liderado pelo cirurgião português António Norton de Matos, uma referência na área dos transplantes renais, que, mesmo após a reforma, mantém uma ligação próxima ao país e tem sido peça central na criação das condições técnicas e humanas necessárias para a realização deste tipo de cirurgia.

Com uma carreira marcada por pioneirismo, foi responsável pelo primeiro transplante renal realizado no Porto há mais de quatro décadas, Norton de Matos assumiu este desafio como um dos últimos grandes objetivos da sua vida profissional.

A operação exigiu a criação de condições específicas no Hospital Agostinho Neto, incluindo a construção e equipamento de um bloco operatório adequado para doentes imunossuprimidos. Até há poucos anos, a realidade era bem diferente: não existiam sequer condições para hemodiálise no país, obrigando muitos doentes a emigrar para garantir tratamento e sobrevivência.

Para Evandro Monteiro, presidente do conselho de administração do Hospital Agostinho Neto, este é o resultado de “uma década de insistência e trabalho árduo, assente em parcerias estratégicas”, sublinhando que o objetivo agora passa por consolidar esta capacidade no país.

Também o nefrologista Hélder Tavares destacou o papel crucial da dadora, enaltecendo o gesto altruísta que permitiu salvar uma vida e abrir caminho a novos procedimentos.

A equipa envolvida integrou especialistas portugueses e profissionais cabo-verdianos, numa lógica de transferência de conhecimento. A ambição é que, progressivamente, o país ganhe autonomia na realização de transplantes, com capacidade instalada e equipas locais preparadas para assegurar este tipo de intervenção.

Está prevista a realização de cerca de 20 transplantes por ano, o que poderá representar uma mudança estrutural no tratamento da insuficiência renal em Cabo Verde, reduzindo custos, evitando deslocações ao estrangeiro e devolvendo esperança a dezenas de famílias.

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