O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, inicia esta Quarta-feira, 15, uma visita de Estado de sete dias à China com o objectivo central de mobilizar financiamento para projectos estruturantes considerados críticos para o relançamento da economia nacional.
Segundo uma nota da Presidência, citada pela agência de notícias Lusa, a deslocação visa captar recursos para iniciativas de elevado impacto económico e social, com enfoque em sectores estratégicos como infra-estruturas, mineração, energia e agricultura, pilares identificados como determinantes para acelerar o crescimento e diversificar a economia moçambicana.
A visita, que decorre entre 16 e 22 de Abril a convite do Presidente chinês, Xi Jinping, insere-se no aprofundamento da Parceria Estratégica Global entre os dois países, num momento em que Maputo procura reforçar alianças financeiras e políticas num contexto de elevada pressão sobre as contas públicas.
Para além da vertente económica, Moçambique pretende consolidar a cooperação político-diplomática com Pequim e alinhar posições em temas da agenda internacional, incluindo a reforma das Nações Unidas, as alterações climáticas e o papel crescente do Sul Global.
Do lado chinês, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considera que a visita deverá reforçar a confiança política mútua e aprofundar a cooperação bilateral, enquadrando-a na estratégia mais ampla de consolidação das relações China-África.
Esta é a primeira deslocação de Daniel Chapo à China desde a sua tomada de posse, em Janeiro de 2025, estando previstos encontros com Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o líder do parlamento chinês, Zhao Leji.
A deslocação ocorre num contexto em que a China continua a afirmar-se como o principal credor bilateral de Moçambique. Só no primeiro trimestre de 2025, Maputo desembolsou mais de 36 milhões de euros em serviço da dívida a Pequim, com o stock da dívida a ascender a cerca de 1,3 mil milhões de dólares em meados de 2024.
Ainda assim, a relação tem conhecido sinais de flexibilização: em 2024, a China perdoou os juros de empréstimos concedidos até esse ano e anunciou uma doação equivalente a 12 milhões de euros, numa medida interpretada como gesto de reforço da parceria estratégica.





