As exportações moçambicanas de castanha de caju registaram um crescimento expressivo em 2025, atingindo 103,1 milhões de euros – quase o triplo dos 37,4 milhões de euros contabilizados no ano anterior – num desempenho impulsionado sobretudo pela forte procura de mercados asiáticos como o Vietname e a Índia.
De acordo com números provisórios do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, citados pela Lusa, o volume exportado também acompanhou esta trajectória ascendente, passando de 48.403 toneladas em 2024 para 93.247 toneladas em 2025, o que confirma um reforço significativo da capacidade produtiva e da inserção internacional do sector.
A dinâmica positiva estende-se igualmente à macadâmia, cujas exportações cresceram de 25,6 milhões de euros para 33,9 milhões de euros no mesmo período, sinalizando uma diversificação progressiva das culturas de rendimento e maior aproveitamento de cadeias de valor agrícolas de alto valor acrescentado.
Este desempenho surge num momento em que o Governo moçambicano procura estruturar uma transformação mais profunda do sector. Em Outubro, o Executivo anunciou um investimento estimado em 317 milhões de euros para desenvolver a fileira do caju, com a meta de aumentar a produção anual das actuais 158 mil toneladas para 689 mil toneladas até 2034.
O Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Caju 2025–2034 visa reforçar a competitividade do sector através da modernização da investigação, extensão rural, comercialização e processamento, ao mesmo tempo que procura expandir o número de produtores assistidos de 230 mil para mais de 600 mil. A estratégia inclui ainda a ampliação da capacidade de processamento, de 40 mil para mais de 482 mil toneladas, e a consolidação da digitalização da cadeia produtiva.
Citado na mesma informação, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, sublinhou o papel estratégico do caju enquanto instrumento de coesão social e segurança alimentar, defendendo a sua integração em programas de alimentação escolar e na restauração.
Num contexto mais amplo, a evolução recente sugere que Moçambique está a reposicionar o sector do caju não apenas como fonte de exportação primária, mas como eixo estruturante de industrialização agrícola, um movimento que, a concretizar-se, poderá reduzir a dependência de exportações em bruto e capturar maior valor interno na cadeia produtiva.





