Papa Leão XIV afirmou neste Sábado, 18, em Luanda, que o povo angolano possui tesouros que não se vendem nem se roubam.
O Santo Padre falava no Salão Protocolar da Marginal de Luanda, onde proferiu uma mensagem dirigida à sociedade civil e ao corpo diplomático acreditado em Angola.
“Entre eles, destaca-se uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir. É uma alegria que convive com a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, mas que permanece viva naqueles que mantêm o coração e a mente livres do engano da riqueza”, elencou.
Com demasiada frequência, considerou, as terras angolanas foram e ainda são vistas mais pelo que podem dar do que pelo que representam.

“É necessário romper com esta lógica que reduz a realidade e a própria vida a uma mercadoria. África constitui, para o mundo, uma reserva de alegria e esperança, virtudes que também têm uma dimensão política, pois inspiram acção, transformação e compromisso”, precisou.
Leão XIV revelou que veja nos jovens, nos pobres e em tantos cidadãos a capacidade de sonhar, de esperar e de não se conformar com o que já existe, sublinhando que há um desejo de preparação para assumir responsabilidades e contribuir activamente para a construção de uma sociedade melhor.

“Esse anseio profundo, que habita o coração humano, é uma força transformadora mais poderosa do que qualquer programa político ou cultural. Estou entre vós ao serviço dessas forças que animam as pessoas e as comunidades. Angola é um mosaico rico e diverso. Desejo ouvir e encorajar todos aqueles que escolheram caminhos de justiça, paz, tolerância e reconciliação, bem como apelar à conversão daqueles que, por vias contrárias, dificultam o desenvolvimento harmonioso e fraterno do país”, salientou.
O bispo de Roma referiu-se também às riquezas materiais, que muitas vezes atraem interesses que provocam sofrimento, mortes e graves consequências sociais e ambientais.
“Esta lógica extractivista, presente em várias partes do mundo, sustenta um modelo de desenvolvimento que exclui e marginaliza, apresentando-se, ainda assim, como inevitável”, apontou.



