PR angolano reconhece que a Igreja Católica ajudou o Governo na formulação de políticas sociais

O Presidente angolano, João Lourenço, garantiu, neste Sábado, 18, que a Igreja Católica ajudou o Governo na formulação de políticas sociais, com a realização de investimentos nos sectores da saúde, da educação e ensino, da oferta de água, energia eléctrica, habitação, na criação de emprego e no combate à pobreza. “Esta é uma missão em…
ebenhack/AP
João Lourenço ressalta que a trajectória e a experiência da República de Angola ao longo das últimas cinco décadas constituem uma boa ilustração do facto de ser uma Nação que consagra a resolução das crises pelo diálogo.
Líderes Life

O Presidente angolano, João Lourenço, garantiu, neste Sábado, 18, que a Igreja Católica ajudou o Governo na formulação de políticas sociais, com a realização de investimentos nos sectores da saúde, da educação e ensino, da oferta de água, energia eléctrica, habitação, na criação de emprego e no combate à pobreza.

“Esta é uma missão em que estamos profundamente empenhados e com a noção plena de que se trata de um desafio complexo e difícil, que requer tempo e recursos que não são tão abundantes quanto desejaríamos, para melhorarmos os índices de qualidade de vida dos angolanos”, assegurou.

João Lourenço, que discursava no Pavilhão Protocolar, em Luanda, no âmbito da visita do Papa Leão XIV ao país, manifestou o desejo de contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharem no propósito de alcançar o progresso e o desenvolvimento económico e social do país.

Segundo o chefe de Estado, mesmo nas circunstâncias mais difíceis do passado, o diálogo entre as autoridades angolanas e as instituições religiosas católicas manteve-se sempre voltado para a construção de entendimentos que passaram também pelo intercâmbio de delegações ao mais alto nível, materializado pelas visitas de Chefes de Estado angolanos ao Vaticano em pelo menos três ocasiões.

“Esta visita, a terceira que um Sumo Pontífice realiza ao nosso país, é o reflexo das relações construtivas que a República de Angola e a Santa Sé mantêm há décadas e que sinalizam, hoje, mais um passo no reforço do diálogo e das bases sobre as quais assenta o grande papel social da Igreja Católica”, frisou.

João Lourenço recordou que o primeiro contacto oficial entre a Santa Sé e esta região de África remonta ao século XVII, quando o Príncipe António Manuel Nsako Ne Vunda, mais conhecido por “Negrita”, se deslocou de Mbanza Congo, então capital do Reino do Congo, até Roma, por incumbência do seu Rei, para encetar uma diligência diplomática junto da Santa Sé.

“As relações diplomáticas entre a República de Angola e a Santa Sé foram formalizadas num contexto político nacional diferente daquele que levou à assinatura, aos 13 de Setembro de 2019, do Acordo-Quadro que estabeleceu os parâmetros jurídicos das relações entre a República de Angola e a Santa Sé”, referiu.

Angola, reforçou, é um Estado laico, onde cada cidadão pode expressar livremente a sua fé, fazendo opções pelas confissões religiosas com as quais mais se identifica, sem nenhuma restrição à sua liberdade de escolha.

“O Catolicismo tem uma grande expressão, que se reflecte no grande número de crentes e na sua grande expansão pelo território nacional. Temos em Angola uma grande diversidade de religiões, que convivem entre si pacificamente e trazem à evidência o carácter profundamente tolerante dos angolanos, tendo-se consolidado já a prática de todos os anos, em algumas datas históricas, se realizarem cultos ecuménicos, que são rotativamente dirigidos por líderes de diferentes confissões religiosas”, detalhou.

O Presidente ressaltou que a trajectória e a experiência da República de Angola ao longo das últimas cinco décadas constituem uma boa ilustração do facto de ser uma Nação que consagra a resolução das crises pelo diálogo.

“Trata-se de um forte marco identitário da nossa diplomacia, que tem moldado de maneira significativa a nossa política externa e que nos tem levado a desenvolver iniciativas diversas em prol da paz no nosso continente. Olhamos para o mundo como um espaço de coexistência entre pessoas e nações de culturas e religiões diferentes e com a firme convicção de que, apesar desta diversidade, todos podem e devem conviver pacificamente”, sustentou.

João Lourenço afirmou que apenas em paz e em harmonia é que todos desfrutar dos recursos que a natureza coloca ao dispor da humanidade, lamentando a corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros, tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos.

“O comércio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os Estados, através de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades, sem que tenham de recorrer à guerra. Vive-se um momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes”, sublinhou.

O Médio Oriente, berço do Cristianismo, do Islão e do Judaísmo e de grandes civilizações, de quem a Humanidade tem muito que agradecer, entende o Presidente angolano, devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade.

“Pelo contrário, constatamos com muita mágoa o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico, região produtora e exportadora de petróleo e gás para uma boa parte do mundo e com economias prósperas e em franco e acelerado crescimento, a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram”, apontou.

Apelou ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região.

Face à probabilidade de agravamento do conflito, que aproxima cada vez mais do abismo, segundo prosseguiu, o mundo apela a Vossa Santidade para que, do alto da Sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os Homens.

“É urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”, concluiu.

Mais Artigos