“Os idosos guardam a sabedoria de um povo”, diz Papa

O Papa Leão XIV defendeu esta Segunda-feira, na cidade de Saurimo, que os idosos devem ser escutados e valorizados como detentores da memória e sabedoria colectiva, sublinhando que o cuidado com os mais vulneráveis constitui um indicador decisivo da qualidade social de um país. A declaração foi feita durante a visita a um centro de…
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A valorização dos idosos enquanto pilares da identidade colectiva marcou a visita do Papa Leão XIV a um centro de acolhimento em Saurimo, onde apelou a uma mudança de paradigma nas políticas sociais e na forma como as comunidades encaram o envelhecimento.
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O Papa Leão XIV defendeu esta Segunda-feira, na cidade de Saurimo, que os idosos devem ser escutados e valorizados como detentores da memória e sabedoria colectiva, sublinhando que o cuidado com os mais vulneráveis constitui um indicador decisivo da qualidade social de um país.

A declaração foi feita durante a visita a um centro de acolhimento para idosos, primeiro compromisso do Sumo Pontífice na província da Lunda-Sul, onde destacou a importância de transformar estes espaços em verdadeiros lares, ancorados em valores de dignidade, convivência e afecto.

Visivelmente sensibilizado, o líder da Igreja Católica referiu que ficou tocado ao saber que os residentes designam o espaço como “lar”, evocando a dimensão familiar que a palavra encerra. Nessa linha, recordou passagens do Evangelho para sublinhar que a presença de Cristo se manifesta nos gestos quotidianos de solidariedade, perdão e partilha.

“Gosto de pensar que Jesus também habita aqui, sempre que vos amais e ajudais mutuamente, sempre que sois capazes de perdoar e rezar com humildade”, afirmou.

Numa mensagem com claro alcance social e político, o Papa alertou que os idosos não devem ser vistos apenas como destinatários de assistência, mas como protagonistas activos na transmissão de valores e experiências. “Guardam a sabedoria de um povo e devem ser escutados. Temos de lhes ser gratos pelo caminho que abriram em benefício da comunidade”, sublinhou.

O Pontífice aproveitou ainda para enaltecer o esforço das autoridades angolanas, bem como de voluntários e profissionais envolvidos no apoio à população idosa, destacando que o tratamento dado aos mais frágeis reflecte o grau de maturidade social e institucional de uma nação.

O centro visitado acolhe actualmente 74 idosos, com idades compreendidas entre os 60 e os 93 anos, sendo a maioria em situação de abandono familiar, uma realidade que expõe desafios estruturais no domínio da protecção social e das dinâmicas familiares.

A visita, ainda que breve, encerra uma dimensão simbólica relevante no contexto da deslocação papal a Angola, ao colocar o envelhecimento, a dignidade humana e a coesão social no centro do debate público.

Antes de partir, o Papa Leão XIV deixou uma mensagem de proximidade espiritual, confiando a comunidade à protecção da Virgem Maria e assegurando que levará consigo a memória do encontro, que considerou marcante. “Paz a esta casa e a quantos nela habitam!”, desejou o Sumo Pontífece.

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