“Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”, diz líder católico

O Papa Leão XIV alertou esta Segunda-feira, durante a homilia da missa celebrada em Saurimo, para os efeitos corrosivos da injustiça social e da concentração da riqueza, afirmando que, quando os valores se degradam, “o pão de todos torna-se propriedade de poucos”. Numa intervenção de forte densidade espiritual e social, o Sumo Pontífice sublinhou que…
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Numa homilia com alcance social e económico, o Papa Leão XIV afirmou, em Saurimo, que a exploração, a violência e a desigualdade continuam a frustrar os anseios das populações, defendendo uma transformação do estilo de vida à luz dos valores do Evangelho.
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O Papa Leão XIV alertou esta Segunda-feira, durante a homilia da missa celebrada em Saurimo, para os efeitos corrosivos da injustiça social e da concentração da riqueza, afirmando que, quando os valores se degradam, “o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.

Numa intervenção de forte densidade espiritual e social, o Sumo Pontífice sublinhou que muitos dos anseios da humanidade continuam a ser frustrados pela violência, pela exploração e pelo uso indevido do poder económico, num contexto em que a desigualdade compromete o acesso equitativo aos recursos essenciais.

“Jesus não nos dá um alimento que acaba, mas um pão que não nos deixa acabar, porque é alimento de vida eterna”, afirmou, contrapondo a lógica material e finita à dimensão espiritual e transformadora da fé cristã.

O líder da Igreja Católica destacou que, perante os desafios contemporâneos, Cristo continua a responder ao clamor dos povos, renovando a esperança e oferecendo um caminho de superação. Em cada queda, disse, há possibilidade de reerguer; em cada sofrimento, espaço para o consolo; e em cada missão, um apelo à perseverança – numa referência à Eucaristia como símbolo de vida contínua e renovada.

“Toda forma de opressão nega a ressurreição de Cristo, que é o dom supremo da liberdade”

Num discurso com implicações éticas e sociais, o Papa sublinhou que nenhuma pessoa nasceu para viver sob opressão, advertindo que práticas como a corrupção, a exploração e a violência contrariam o princípio fundamental da dignidade humana. “Toda forma de opressão nega a ressurreição de Cristo, que é o dom supremo da liberdade”, afirmou.

Para o Pontífice, a libertação do mal não é apenas uma promessa futura, mas um processo que deve concretizar-se no quotidiano, através de escolhas individuais e colectivas que promovam justiça, solidariedade e verdade.

Leão XIV desafiou ainda os fiéis a reflectirem sobre as motivações que os levam a seguir Cristo, questionando se essa adesão se baseia em interesse ou em convicção profunda. Defendeu, neste contexto, uma vivência autêntica da fé, orientada pelo amor e não pelo cálculo.

Na sua homilia, destacou igualmente o papel transformador da mensagem cristã, sublinhando que Jesus ilumina o caminho, restaura a dignidade dos marginalizados e responde à fome de justiça, evocando sinais concretos como a cura dos doentes e a partilha do pão com os mais necessitados.

O Papa apelou, por fim, ao compromisso activo dos fiéis na disseminação da Palavra e no serviço à comunidade, reforçando que esta deve constituir “regra de vida e critério de verdade”, acima de interesses circunstanciais ou tendências momentâneas.

“Seguindo Jesus, o caminho da Igreja é sempre um percurso de esperança e renovação”, concluiu, numa mensagem que reforça o papel da fé como vector de transformação social num contexto marcado por desafios estruturais.

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